Brasil: e se o Estado fosse administrado como uma empresa?
O Impostômetro, criado em São Paulo, registrou em 2025 um número que impressiona e preocupa: o Brasil fechou o ano em R$ 3,98 trilhões em impostos. Trata-se de um volume extraordinário de recursos, que naturalmente desperta uma reflexão inevitável: como esse montante seria administrado se o país funcionasse com a lógica de uma empresa?
No mundo empresarial, a arrecadação ou o faturamento não é um fim em si mesmo. Ela é o ponto de partida para decisões estratégicas que visam crescimento sustentável, geração de valor e impacto positivo para a sociedade. O primeiro destino desse recurso seria, sem dúvida, o investimento: investir para crescer, ampliar operações, abrir novas fábricas ou filiais, gerar empregos, incorporar tecnologia, fomentar a inovação e aumentar a produtividade. Empresas bem geridas têm propósito claro de desenvolvimento econômico e social, pois sabem que investir hoje é garantir o futuro.
Outro pilar fundamental da boa gestão empresarial é a seleção de fornecedores. Não há espaço para cartas marcadas. O critério é excelência, qualidade, competitividade, eficiência e transparência. A escolha correta impacta diretamente os resultados, reduz desperdícios e eleva o padrão dos produtos e serviços entregues à sociedade.
Da mesma forma, nenhuma empresa prospera sem valorizar seus trabalhadores. A remuneração justa, associada à meritocracia, ao desempenho e à produtividade, é essencial para engajar pessoas, estimular resultados e construir equipes comprometidas com os objetivos do negócio. Pessoas são ativos estratégicos, não custos a serem simplesmente comprimidos.
E quando as contas não fecham? No setor privado, a resposta é clara: entra em cena a reestruturação. As empresas promovem reformas administrativas, revisam processos, ajustam gastos e eliminam ineficiências sempre com o cuidado de não comprometer os investimentos, pois sabem que eles são o motor do crescimento futuro. Cortar investimentos é adiar o desenvolvimento e fragilizar a sustentabilidade do negócio.
Ao observarmos a arrecadação bilionária registrada pelo Impostômetro, a pergunta que permanece é direta e necessária: o Estado brasileiro tem aplicado esses princípios básicos de gestão? Crescimento, eficiência, meritocracia, transparência e responsabilidade com o futuro não são conceitos ideológicos, mas práticas consagradas no mundo empresarial.
Administrar bem não é arrecadar mais, e sim usar melhor. O Brasil precisa avançar para um modelo de gestão pública que respeite o esforço de quem paga impostos e transforme arrecadação em desenvolvimento, competitividade e qualidade de vida para toda a sociedade.
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