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Caso Banco Master: hora de colocar os pingos nos ‘is’

Mais do que um caso de polícia, estamos confrontando um penoso teste de estresse para as instituições brasileiras
Caso Banco Master: hora de colocar os pingos nos ‘is’
Vista da entrada do Banco Master. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

Um cidadão dá desfalque de mais de 40 bilhões e tem ainda gente que o defenda”. (Presidente Lula sobre o caso Master.)

Colocar os pingos nos “is”. Todos os pingos em todos os “is”. Corrigir o rumo processual, deslocando-o para a alçada competente. Desfazer por completo qualquer tênue sombra de dúvida sobre o comportamento de pessoas graduadas do cenário público. Dar nome aos bois, quaisquer que sejam “os bois”. É o que, em cristalina verdade, a vigilante opinião pública espera das investigações em curso pertinentes ao imbróglio do Master.

Pelas apurações já vindas a lume, a impressão que fica é de que os autores da descomunal fraude espicharam muito além dos limites preconizados por Dale Carnegie “a arte de fazer amigos e influenciar pessoas”… Faz-se necessário, a essa altura do campeonato que os setores competentes, atuando com rigor, livre e desembaraçadamente, exponham a anatomia da maracutaia, o destino da dinheirama, o motivo pelo qual auditorias credenciadas abalizaram, por tanto tempo, a ficção contábil.

Há perguntas que não querem calar. Uma delas: quem abriu as portas para que uma instituição bancária combalida tentasse audaciosamente uma fusão com organização pública, utilizando títulos financeiros de lastro falso nas operações? Mais pergunta pela frente. Que desígnios misteriosos são esses que levaram o Banco Regional de Brasília a adquirir ativos podres do Master? Outra pergunta: o que pela mesma forma conduziu administradores de fundos de pensão e aposentadoria de servidores públicos, no Rio de Janeiro e em outros Estados a investirem reservas pertencentes aos associados em papéis fajutos de uma organização de crédito em situação de quase insolvência, ignorando pareceres técnicos que desaconselhavam as operações? Afigura-se impensável, intolerável, inadmissível a mais leve possibilidade de que os desatinos descritos possam vir a prejudicar a grande massa de servidores públicos contribuintes dos planos previdenciários colocados em risco por gestores negligentes ou inescrupulosos.

Não estamos diante apenas de um caso de polícia. Estamos, sim, confrontando um penoso teste de estresse para as instituições brasileiras. Se os pingos não forem devidamente colocados nos “is” neste preciso momento, a mensagem propagada, para escândalo da nação, será a de que o crime do colarinho branco continua sendo o investimento de maior retorno e menor risco. Para desdita geral. A sociedade brasileira aguarda o próximo capítulo da história. O enredo comporta, fatalmente, o rastreamento de ativos despejados no exterior e a identificação dos prováveis sócios ocultos das mutretas praticadas. É o momento de separar o joio do trigo e garantir que o custo da fraude não recaia, mais uma vez, sobre os ombros do pagador de impostos e do pequeno investidor.

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