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Cooperação que garante a saúde do mineiro

País tem um dos maiores sistemas cooperativos de saúde do mundo
Cooperação que garante a saúde do mineiro
Foto: Reprodução Adobe Stock

Defender a ciência, a cooperação e formas de fazer o conhecimento chegar, de fato, à vida das pessoas. Esse é o chamado da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Dia Mundial da Saúde em 2026. Com a mensagem “Juntos pela saúde. Apoie a ciência” (“Together for health. Stand with science”, no original), a entidade destaca o valor da colaboração científica e da cooperação para transformar evidências em ação. Poucas ideias dialogam tão bem com o cooperativismo em saúde quanto essa, já que nosso modelo nasce justamente da articulação entre profissionais, da construção coletiva de soluções e do compromisso de fazer o cuidado chegar, com qualidade, a quem precisa.

Aqui no Brasil, temos um dos maiores sistemas cooperativos de saúde do mundo. Uma rede presente em mais de 90% do território nacional e que conta com 24 milhões de beneficiários – um quarto do total de usuários de planos de saúde segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em Minas Gerais, Estado com a segunda maior rede de atendimento cooperativista do segmento – 123 cooperativas médicas, odontológicas e de outras áreas, como Nutrição, Psicologia, Enfermagem e Fisioterapia -, quase metade (48,3%) das pessoas com acesso à saúde suplementar o fazem por meio de uma cooperativa.
Os números ajudam a dimensionar a proporção do impacto do setor em um sistema de saúde como o do nosso país, que conta com a atuação complementar da iniciativa privada para ampliar as possibilidades de atendimento à população.

Talvez esteja aí um dos maiores diferenciais do cooperativismo. Como reconhece a própria OMS, nosso modelo de negócios é capaz de promover a ampliação do acesso e da cobertura de saúde. E isso acontece, entre outras razões, porque nossos próprios cooperados respondem diretamente pela sua prática. Quando a qualidade do atendimento melhora, o resultado desse avanço também retorna para a organização que eles constroem. Há, portanto, uma convergência rara entre a responsabilidade assistencial, o compromisso com o paciente e a sustentabilidade do modelo.

Esse traço ajuda a explicar porque o cooperativismo tem conseguido associar presença e qualidade. No resultado mais recente do Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS), principal indicador da ANS para avaliação das operadoras, 16 das 18 organizações médico-hospitalares com nota máxima eram cooperativas — um sinal de que atendimento centrado nas pessoas não é incompatível com alto desempenho.

Esse compromisso, aliás, não se limita às cooperativas do ramo da saúde. Ele atravessa o cooperativismo como um todo. No levantamento mais recente do Dia de Cooperar –– maior movimento de voluntariado do cooperativismo brasileiro ––, foram registradas mais de 2,3 mil iniciativas alinhadas ao terceiro Objetivo de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas: assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.

No fim das contas, mais do que números, a principal contribuição do cooperativismo para a saúde brasileira talvez seja lembrar que acesso não é apenas ter uma porta aberta. É encontrar acolhimento, continuidade, escuta, confiança e qualidade no caminho. Em um país marcado por grandes diferenças sociais e territoriais, sustentar o cuidado exige fortalecer tudo aquilo que funciona para a população. E o cooperativismo de saúde, sem dúvida, é um grande parceiro nesse sentido.

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