Donald Trump e sua megalomania imperial
“A Groenlândia é nossa” (Donald Trump)
As peças do tabuleiro de xadrez geopolítico estão sendo espalhafatosamente movimentadas, numa situação bastante atípica. O protagonismo, incômodo e absorvente, nos perturbadores acontecimentos em curso fica por conta de… adivinhem quem? Dele mesmo, o próprio, Donald Trump, candidato ao Nobel da Paz, “nosso novo xerife”, pra usar exclamação embevecida do vice-presidente dos EUA, JD Vance.
Reportemo-nos aos fatos da Venezuela. Às pessoas de boa fé parecia que, depois da “captura”, ou seja, da remoção no tabuleiro do caudilho, os caminhos iriam ficar desembaraçados para a almejada transição democrática. Ledo engano! As sinalizações abundantes são no sentido de que, vaga a cadeira do ditador, cuidemos de promover composição com a ditadura. Aquela velha história, tão do agrado da matreirice política universal: “Faça-se alguma reforma, para não se fazer reforma alguma”.
Recorrendo a papo de enxadrista, a reviravolta no tabuleiro, em que a peça capturada não limpa o campo, mas revela acordo de bastidores com as demais peças do jogo, pode ser enxergada como típico traço de despudorado pragmatismo. Este inesperado arranjo facilita a consecução dos objetivos desejados por Trump: apossar-se das riquezas minerais do país detentor das maiores reservas petrolíferas do globo. Não é por outra razão que o ocupante da Casa Branca anunciou eufórico que os “novos aliados”, quer dizer os chavistas, aquiesceram a “ceder” 50 milhões de barris de petróleo, com o compromisso de aplicarem os recursos na compra, exclusivamente, de produtos manufaturados estadunidenses. Em nenhum momento das copiosas declarações de Trump e outros porta-vozes de seu governo foi feita a mais leve menção a eleições, eventual participação dos opositores do regime bolivariano em tratativas políticas, em prazos para a Venezuela retomar a estabilidade. Observadores qualificados consideram, a esta altura, que houve efetivamente conluio de Trump com figuras graduadas do poder autoritário de Caracas na fulminante ação que resultou na saída de cena do déspota Nicolas Maduro.
Saindo, por hora, da Venezuela, transformada em protetorado estadunidense, chegamos a outras plagas ameaçadas pela megalomania imperial de Trump. A Groenlândia, território dinamarquês, rica em minerais estratégicos é alvo de cobiça pantagruélica. Será parte dos EUA, por bem ou por mal, garante o “xerife”, debaixo do espanto e da indignação mundial, a partir dos países da Comunidade Europeia.
Enquanto isso, elevando a grau máximo as preocupações e temores globais, Washington intensifica sua política xenófoba contra imigrantes, com registros de vítimas fatais provocadas pelos agentes da repressão, ao mesmo tempo em que rompe relações com 67 importantes organizações internacionais, 31 delas vinculadas à ONU. Onde já se viu…
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