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O que falta para as mulheres ocuparem os conselhos

Diversidade deve ser vista como um fator comprovado de geração de valor
O que falta para as mulheres ocuparem os conselhos
Foto: Reprodução Adobe Stock

Nos últimos anos, o debate sobre a presença feminina nos Conselhos de Administração avançou. Celebramos, com razão, cada nova conselheira nomeada e o crescimento — ainda tímido — da diversidade de gênero nas altas esferas. Ainda assim, estamos longe do cenário ideal.

A diversidade nos conselhos não deve ser vista apenas como uma exigência de representatividade, mas como um fator comprovado de geração de valor. Dados mostram que a pluralidade de perspectivas contribui para decisões mais estratégicas e resultados financeiros mais sólidos.

Os números ajudam a dimensionar o desafio. Levantamentos do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), com base em dados da B3, indicam que a presença feminina nos conselhos de empresas de capital aberto no Brasil está em torno de 17%.

O relatório Diversity Matters Even More (2023), da McKinsey & Company, reforça esse argumento: empresas no quartil superior em diversidade de gênero em equipes executivas e conselhos têm 39% mais chances de superar a rentabilidade de seus pares. Já aquelas no quartil inferior apresentam 66% menos probabilidade de obter desempenho financeiro acima da média.

Conquistar uma cadeira no conselho é apenas o início da jornada. Para que essa posição seja sustentável, é fundamental dominar os temas estratégicos que pautam as decisões corporativas. Projeções financeiras, avaliação de empresas, fusões e aquisições e gestão de riscos fazem parte da linguagem central dos conselhos.

Assim, a carreira de uma conselheira depende de sólida formação técnica aliada a competências comportamentais. Profissionais preparadas precisam ter capacidade analítica para interpretar balanços, questionar resultados financeiros e contribuir para a maximização da rentabilidade no curto, médio e longo prazos.

Além disso, os conselhos enfrentam novos desafios. Discussões recentes no próprio IBGC apontam que temas como inteligência artificial, cibersegurança, transformação digital e métricas efetivas de ESG já fazem parte das competências essenciais nas mesas de decisão. Foi justamente para fortalecer essa preparação técnica que criamos o Advanced Boardroom Program for Women (ABP-W). O programa busca desenvolver executivas C-Level, herdeiras, empreendedoras e sócias de grandes escritórios, combinando conhecimento financeiro, análise estratégica, gestão de riscos e networking.

A pluralidade de pensamento impulsiona a inovação. No entanto, é a fluência nos números e nas finanças estratégicas que garante que as ideias se convertam em governança, poder e legado. A cadeira no conselho é o destino; o domínio dos negócios é o que garante permanência e liderança na transformação das empresas e do País.

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