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Mais delegacias rurais: segurança, urgência e cidadania no campo

Garantir segurança no campo significa proteger o patrimônio dos produtores e os recursos naturais do entorno
Mais delegacias rurais: segurança, urgência e cidadania no campo
Foto: Dirceu Aurélio / Imprensa MG

Minas Gerais é um estado de tradição agrícola e pecuária, cuja economia e identidade cultural estão estreitamente ligadas ao meio rural. Contudo, esse ambiente vital, que é produtor de riqueza, alimento e ecossistemas, vem sendo alvo de graves ocorrências criminosas: furtos de gado e maquinário, invasões de propriedades, desmatamento ilegal, incêndios criminosos, poluição de cursos d’água, entre outras práticas ilícitas que afetam o produtor rural, a saúde ambiental e a economia regional.

A instalação de mais unidades da Delegacia Especializada em Crimes Rurais é, hoje, medida premente. Tais delegacias não apenas respondem à necessidade de repressão, mas também funcionam como mecanismo de prevenção, presença estatal e apoio à produção sustentável no campo. No entanto, o Estado ainda está aquém da demanda.

Com mais de 850 municípios, muitos com vastas zonas rurais, Minas Gerais enfrenta um desafio logístico de primeiro porte: deslocamentos longos, difícil acesso, comunidades dispersas. Nessas áreas, o registro de ocorrências muitas vezes exige que o produtor se desloque dezenas ou centenas de quilômetros até uma cidade-sede para formalizar boletins. Essa distância favorece a sensação de impunidade e faz com que o campo fique vulnerável.

Os crimes no meio rural exigem, ainda, tratamento especializado: a cena do crime pode estar em local de difícil acesso, maquinaria e gado precisam ser identificados, a perícia deve lidar com evidências em ambientes externos ou afastados, há necessidade de cooperação com órgãos ambientais, treinamento específico para as equipes da Polícia Civil e estrutura adequada para cobrir o território.

Garantir segurança no campo não significa apenas proteger o patrimônio dos produtores, mas também preservar nascentes, solo, fauna, flora e garantir a continuidade da produção agrícola. O meio rural é uma fronteira ecológica e produtiva, em que a ausência de segurança promove êxodo rural, desvalorização da propriedade, abandono técnico e favorece atividades ilícitas que degradam o meio ambiente.

Delegacias rurais bem estruturadas devem contar com veículos adaptados à logística rural, drones ou georreferenciamento para monitoramento, perícia especializada, integração com órgãos ambientais, protocolos de resposta rápida e, também, ações preventivas: campanhas de conscientização, parcerias com sindicatos rurais e monitoramento em tempo real.

Pela sua importância e relevância para o Estado, não tenho dúvida de que a região de Pará de Minas, Juatuba, Florestal, Mateus Leme e Itaúna, entre outras, merece receber também uma Delegacia Especializada em Combate aos Crimes Rurais. A região acima tem enfrentado desafios no combate aos crimes urbanos, e os crimes rurais têm a sua responsabilização enfraquecida por conta das dificuldades acima já apontadas.

Proteger o campo, as nascentes, a segurança do produtor e a biodiversidade é proteger Minas Gerais. Isso exige mais delegacias rurais, com estrutura e especialização, para que o campo mineiro tenha dignidade, segurança e continuidade. Que a região de Pará de Minas receba, em breve, uma unidade de combate aos crimes rurais. É medida que se faz necessária na atualidade.

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