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Minerais críticos e IA: plano nacional urgente

É preciso que haja um plano nacional com inteligência artificial, governança pública e desenvolvimento regional
Minerais críticos e IA: plano nacional urgente
Foto: Reprodução Adobe Stock

O Brasil reúne vantagens minerais que podem colocá-lo entre os protagonistas da economia digital, desde que exista um plano nacional que una inteligência artificial, governança pública e desenvolvimento regional. A tragédia de Brumadinho, que resultou em 270 mortes e cujas buscas seguem abertas, mostra que a tecnologia sem fiscalização não impede perdas humanas nem reconstrói a confiança social. Segurança e prevenção precisam ser pilares centrais de qualquer estratégia.

O avanço do lítio no país atraiu investimentos que ultrapassam R$ 5 bilhões em anúncios iniciais, além do aporte federal previsto de outros R$ 5 bilhões para minerais estratégicos em 2025. O Ministério de Minas e Energia (MME) regulamentou instrumentos para captar cerca de R$ 5,2 bilhões anuais via debêntures incentivadas, fortalecendo a transformação mineral. A produção de lítio, que alcançou 15.193 toneladas em 2023, indica potencial de expansão com políticas de conteúdo local e atração de cadeias de baterias.

A inteligência artificial pode aprimorar prospecção, mapeamento e planejamento de lavras com menor impacto. Sensoriamento remoto e dados geofísicos integrados a modelos de aprendizado permitem decisões mais precisas e transparentes. Para que esses ganhos cheguem ao cidadão, é indispensável que o governo mantenha controle sobre padrões de dados, interoperabilidade, repositórios públicos e governança capaz de garantir qualidade e acesso para fiscalização e pesquisa. O Sumário Mineral Brasileiro, publicado pela Agência Nacional de Mineração (ANM), é base essencial para políticas públicas e modelos técnicos.

Os impactos sociais exigem respostas estruturadas. Comunidades próximas a projetos minerais convivem com pressão sobre serviços públicos, riscos ambientais e perda de renda tradicional. Um plano nacional deve prever fundos de desenvolvimento local, capacitação técnica, empregos qualificados, participação nos lucros e presença obrigatória das comunidades em todas as etapas do licenciamento. Metas ambientais precisam ser factíveis, auditáveis e associadas a incentivos fiscais condicionados ao cumprimento de critérios sociais e ambientais.

A gestão de rejeitos requer monitoramento contínuo, sensores, modelos preditivos e auditoria independente. A IA reduz riscos, mas não substitui a responsabilidade legal das empresas nem a atuação firme do Estado. Dados abertos e fiscalização técnica são fatores-chave para reconstruir credibilidade e evitar novos desastres.

Com governança pública forte, padrões técnicos, incentivos bem desenhados e participação social, o Brasil pode transformar sua riqueza mineral em desenvolvimento sustentável, segurança para as comunidades e liderança tecnológica. A oportunidade é real. A decisão de avançar precisa ser imediata.

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