Artigo

É necessário resgatar o verdadeiro sentido do Natal

O padre Juvenal Arduini proclama: "Celebremos e vivamos o significado pleno do Natal, para sermos nova humanidade"
É necessário resgatar o verdadeiro sentido do Natal
Foto: Reprodução Adobe Stock

“Natal interpela a consciência morna.” (Juvenal Arduini, padre, sociólogo, filósofo)

Autor de mais de uma dezena de livros, adotados em universidades brasileiras e do exterior, sociólogo renomado, professor emérito, filósofo respeitado, padre Juvenal Arduini, do clero de Uberaba, de saudosa memória, integrou um sem-número de importantes instituições culturais, dentro e fora do país.
Estamos vivenciando as emoções do Natal. Ocupamos hoje este espaço, com vantagem para o leitor, reproduzindo comentário natalino deste inesquecível mestre.

Arduini com a palavra. “Celebrar o Natal é grande alegria. Mas é preciso sondar o autêntico sentido do Natal. Natal cronológico é data de calendário. Natal mercantilista é comércio. Natal hedonista suga prazer. Natal suntuoso é minado pelo luxo. Natal residual distribui restos de coisas e resíduos emocionais. Natal usurpado é movido por interesses sujos. Natal do abandono esquece os sofredores. Natal egoísta não ouve o soluço encolhido e nem o choro desatado. Natal banalizado entorpece a Fé.

É necessário resgatar o verdadeiro sentido do Natal que é encontro ou reencontro com Deus. Nas vertentes da história natal começa a revelar-se intensamente o projeto de Deus através da vida e palavra de Jesus.

(…) Natal de amor. Amor original, oblativo, repartido. Amor sem mágoa, sem cobrança, sem cláusulas, sem preço fixo. Amor que não ofende, não machuca, não exige compensação. Amor capaz de compreender e de perdoar.

(…) Cristo fez-se irmão de toda a humanidade. O sangue da humanidade é também sangue de Cristo. A humanidade de todas as raças e culturas está organicamente articulada com Cristo. Todos somos irmãos de Cristo e irmãos entre nós. O Natal ensina que a fraternidade deveria prevalecer em todos os continentes.

(…) A Bíblia clama em favor dos pobres, escravos, órfãos, famintos e excluídos. Jesus nasceu pobre e viveu pobre para reerguer os que se arrastam pelo chão. Natal não pode ser usado para sacralizar a miséria. Celebrar coerentemente o Natal é assumir o compromisso de promover a dignidade dos empobrecidos. Natal interpela a consciência morna. Mais de dois bilhões de pobres no mundo questionam a humanidade. Não basta lamentar a pobreza. Não basta sedar os pobres. É preciso restituir-lhes a estirpe de gente.

(…) O nascimento de Jesus anunciou “paz na terra aos homens”. A paz repartida por Cristo é substancial e universal, é para todos. Não é a paz dos poderosos que impõem silêncio e subordinam os fracos. A paz do Natal emancipa e dignifica todo ser humano. É paz gerada pela justiça e não pelo orgulho.
(…) Natal da vida e do amor, da esperança e do canto, da justiça e da paz, do homem e da mulher, dos trabalhadores e dos cientistas, dos educadores e dos estudantes, dos intelectuais e dos comunicadores, dos empregados e dos desempregados, dos sadios e dos enfermos, da orfandade e da solidariedade, do pão e da festa, das metrópoles e das sublimidades.

Celebremos e vivamos o significado pleno do Natal, para sermos nova humanidade.”

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas