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O novo horizonte do acordo Mercosul-União Europeia

Enquanto o otimismo impera no campo, o coração industrial do País — o Sudeste — vive a incerteza da competitividade europeia
O novo horizonte do acordo Mercosul-União Europeia
Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

A assinatura histórica do acordo entre Mercosul e União Europeia (UE) em janeiro de 2026 marca o início de uma nova era para a economia brasileira. Se por um lado o otimismo transborda no campo, por outro, o coração industrial do País — o Sudeste — enfrenta o espelho de uma realidade desafiadora: a urgência de se reinventar para não ser atropelado pela competitividade europeia.

Após mais de duas décadas de idas e vindas, a assinatura do acordo comercial finalmente redesenha o mapa das oportunidades globais para o Brasil. Com a criação de uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, o País projeta ganhos que podem superar os R$20 bilhões em exportações na próxima década. No entanto, por trás das cifras bilionárias, reside um desafio estrutural: a necessidade de uma qualificação profissional sem precedentes para garantir que o Brasil não seja apenas um “celeiro”, mas uma potência tecnológica e eficiente.

Para o agronegócio, o acordo é um combustível importante. Setores como carnes (bovina, aves e suína), café, açúcar e suco de laranja ganham acesso a cotas tarifárias preferenciais, permitindo uma expansão robusta no mercado europeu. Contudo, o “bilhete de entrada” para a Europa não é apenas comercial, é ambiental.

O agro brasileiro agora operará sob o rigor de exigências de rastreabilidade e sustentabilidade. Isso exige que o produtor rural e as empresas do setor invistam em tecnologias de monitoramento e gestão de dados. A eficiência não será medida apenas por sacas por hectare, mas pela pegada de carbono e pelo cumprimento rigoroso de normas sanitárias. O impacto é claro: o setor precisará de profissionais especializados em AgTech, análise de dados sustentáveis e certificações internacionais.

O grande desafio recai sobre o Sudeste brasileiro. Como a região mais industrializada do país, estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais estão na linha de frente da concorrência direta com produtos manufaturados europeus, conhecidos por sua alta produtividade e tecnologia de ponta. Em suma: o acordo Mercosul-União Europeia é um convite à maturidade econômica. Para o agronegócio, é a chance de consolidar a liderança com sustentabilidade. Para a indústria do Sudeste, é o empurrão necessário uma atualização tecnológica há muito postergada.

E no centro de tudo, o profissional brasileiro é o protagonista: sua capacidade de se qualificar e elevar a qualidade dos produtos nacionais determinará se o Brasil será apenas um mercado consumidor ou um parceiro estratégico de igual para igual no cenário mundial.

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