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A partida de nosso profeta

Daniel Antunes Junior, carinhosamente chamado pelos amigos de “nosso profeta”, partiu já nos derradeiros momentos de 2025
A partida de nosso profeta
Foto: Reprodução Instagram Prefeitura de Espinosa

“Ninguém morre, parte primeiro” (Camões)

Quase no apagar das luzes de 2025, Daniel Antunes Junior, carinhosamente chamado pelos amigos de “nosso profeta”, partiu primeiro. Deixou belo legado. Inteiriço de corpo e alma conservava, aos 104 anos bem vividos, invejável lucidez de espírito, de onde jorravam ideias, orientações e conselhos distribuídos generosamente para todos quantos dele se acercavam.

Na peregrinação pela pátria terrena, atribuída por desígnios superiores, a todos nós seres humanos, Daniel acumulou esplêndido acervo pessoal de realizações e feitos, fruto de fecundo labor e de extraordinária criatividade intelectual. Escritor, com um punhado de livros editados, todos merecedores de louvores por parte do público e da crítica literária, assinalou presença como historiador, poeta e cronista. Fez parte, com participação fulgurante, de respeitáveis instituições culturais. Além de membro da Academia Mineira de Leonismo, foi associado da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e da Arcádia. Dedicava-se, até bem recentemente, a atividades agropastoris. Possuidor de dinamismo incomum. Dizia-se, em tom sempre bem-humorado “decano” de tudo. Com efeito, era o decano do quadro social do Leonismo em Minas e no Brasil. Foi decano entre os governadores de Lions. Em sua operosa gestão à frente do movimento leonístico em Minas Gerais foi responsável pela implantação do maior número de clubes de serviços num único período administrativo. Irradiando simpatia e demonstrando vasta erudição, apreciava como ninguém uma boa roda de papo. Reportava-se a fatos históricos e a casos do cotidiano de rico sabor. Prevalecia-se do conhecimento e da experiência bem-sucedida de vida para engajar-se com ardor e disposição, em causas de construção humana.

Aqui está uma amostra rica em conteúdo humano de seu jeito de ser. Foi extraída de um registro que ele apontava como sendo sua “autobiografia”. O “profeta” com a palavra: “Comprazo-me de ser um homem normal, limpo, enxuto, de hábitos saudáveis. Não babo, não fungo, não tenho o bafo de onça dos pinguços, já que bebo com moderação. Também não exalo o ranço sarrento da nicotina, pois não fumo”; “Tenho uma barriguinha de veludo”. (…); “Não sou acanhado, nem assanhado, nem enxerido. Já usei bigode, mas não uso mais.” (…)

“Gosto de ver as estrelas, dos perfumes discretos, das flores, das frutas, da chuva, da música, das mulheres, dos cães, da amizade e da sinceridade, da cor verde” (…) “Creio que a minha família é a melhor do mundo. Tenho a mente aberta, mas não tenho o corpo fechado e sou alheio a superstições.” (…) “Não sou tão jovem como fui, nem tão velho como espero vir a ser”. “Enfim, gosto da vida e, quando partir desta para outra, sentirei saudade dela. Creio que este mundo é o melhor de todos os que conheço…”
Querem saber? Este nosso profeta foi um humanista na melhor acepção do termo!

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