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Por que esforço vale mais que talento

A combinação de paixão e perseverança pode ser mais determinante para o sucesso do que habilidade natural
Por que esforço vale mais que talento
Reprodução/ Adobe Stock.

Assim como “saudade” não se traduz facilmente em outras línguas, grit também resiste a uma tradução simples em português. Tentamos com “determinação”, “resiliência”, “persistência”. Mas nenhuma palavra sozinha captura o que a psicóloga Angela Duckworth descobriu ao estudar por que algumas pessoas alcançam resultados extraordinários.

Grit é a combinação de paixão e perseverança por objetivos de longo prazo. É continuar quando o talento já desistiu.

A pesquisa de Duckworth mostra algo contraintuitivo: nos ambientes de alta pressão que ela estudou – de cadetes militares em West Point a competições nacionais –, talento não era o principal preditor de sucesso. Grit era. Cadetes com pontuações altas em grit tinham 60% mais chances de completar treinamento brutal do que aqueles com QI superior.

A equação que deveria estar em toda sala de reunião: Talento x Esforço = Habilidade. Habilidade x Esforço = Conquista. Repare: esforço conta duas vezes.

Passei 25 anos em ambientes corporativos onde credenciais abrem portas. MBA, pós-graduações em universidades de prestígio, experiência internacional. São importantes? Claro. São suficientes? Nunca foram.

Quem constrói legado são as pessoas que continuam aparecendo depois que a porta fecha. Que reescrevem a apresentação pela quinta vez. Que defendem uma pauta que consideram importante mesmo quando o orçamento aperta. Que transformam fracasso em dado, não em desculpa.

Grit não é teimosia. É ter clareza sobre o que importa e ajustar o “como” sem perder o “porquê”. É manter o compromisso com net-zero quando a economia desacelera, ajustando táticas sem negociar princípios.

No contexto de sustentabilidade corporativa, vejo isso constantemente. Empresas com grit coletivo não desistem de metas ambiciosas quando o cenário fica desafiador. Elas refinam estratégias, buscam novas tecnologias, ajustam prazos. O compromisso permanece. A tática evolui.

Diplomas, certificações, experiência – tudo conta. Mas quando a estratégia falha, quando o CEO muda, quando o mercado rejeita sua ideia: você continua?

Se a resposta é sim, você tem grit. E talvez isso valha mais do que muito do que colocamos no currículo.

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