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EUA x Groenlândia: Quem poderá conter Trump?

Narcisista perverso, presidente norte-americano vem inquietando o mundo com uma saraivada de diatribes
EUA x Groenlândia: Quem poderá conter Trump?
Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

“Ato de sublime amor” (Trump, sobre a invasão do Capitólio)

Narcisista perverso, Trump vem inquietando o mundo com uma saraivada de diatribes.
“Nomeia-se” presidente da Venezuela. Fala em anexar o Canadá. Ameaça controlar o Canal do Panamá. Afirma que, por enquanto, não haverá invasão do México, contra os cartéis de drogas. Mirando Cuba, registra que Marco Rubio, seu secretário de Estado, será um bom presidente para o país. Define com as grandes petrolíferas, esquema de exploração das jazidas de óleo venezuelanas. Depois de criticar virulentamente o presidente da Colômbia, volta atrás dizendo que ele é um bom homem, convidando-o até a dar uma chegadinha em Washington.

Noutra vertente de atuação, inconformado com os dados econômicos, abre procedimento criminal contra o presidente do Banco Central, culpando-o pelos números desfavoráveis. Admoesta correligionários e adversários pela moção aprovada no Congresso, que impede ações bélicas sem a prévia anuência parlamentar, como reza a constituição. Intensifica o programa de deportações e sustenta, contra as evidências, que o agente que matou uma americana agiu em legítima defesa. Seja anotado que a tragédia desembocou em grandes manifestações de protesto país afora. Outra decisão de estrondoso impacto diz respeito à suspensão de vistos de imigração envolvendo cidadãos de 75 países, o Brasil incluído. Além disso, entrará em vigor ampla revisão cadastral atingindo imigrantes detentores de “vistos de permanência”.

No dia 6 de janeiro último, mais um impensável lance praticado por Trump abala fortemente círculos democráticos da grande nação americana. Reportando-se à conspiração golpista, por ele estimulada e que resultou na invasão do Capitólio em 2022, o ocupante da Casa Branca descreve a nefanda ocorrência como um “ato de sublime amor” promovido por sinceros patriotas. Bota “patriotismo” nisso! Teve mais: Trump diz, na maior cara de pau, que os fatos relativos à invasão – que resultou em mortos, feridos, prisões e condenações pela justiça – carecem ser reescritos, de modo a corrigir “erro histórico”.

O mal-estar ocasionado pela disposição imperial de abocanhar a Groenlândia leva países da Otan a deslocarem tropas para aquele território a fim de protegê-lo do imprevisível “aliado”. Não param aí as maluquices. Trump acena com sobretaxas aos países que se oponham à invasão da Groenlândia. Declara-se desobrigado de compromisso com a paz pelo fato de ter-lhe sido negado o “Nobel Paz”. Divulga nas redes uma imagem produzida por IA onde aparece ladeado por assessores com a bandeira americana fincada no mapa da Groenlândia. Noutra imagem, a bandeira cobre toda a extensão das Américas (Canadá e México incluídos).

A pergunta de ressonância universal que não quer calar: como e quem vai conter Donald Trump?

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