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Da Sapucaí ao TSE: O maior espetáculo da Terra

Homenagem ao presidente Lula foi uma amostra do que a campanha eleitoral à vista promete trazer
Da Sapucaí ao TSE: O maior espetáculo da Terra
Foto: Ricardo Stuckert

“Nada nem de leve parecido em nenhuma parte do mundo.” (Paul Powells, jornalista)

Fevereiro chegou, tem Carnaval. Um punhado de dias regidos pela arrebatante cadência do samba. É assim neste país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, como canta Jorge Ben Jor.
O maior espetáculo da Terra encharca de alegria espontânea e genuína as enfeitadas ruas e praças de nossas cidades. Trata-se da mais feérica comemoração lúdica, rítmica e musical de que se tem notícia. Aglutina incalculáveis multidões de todos os estamentos sociais em saudável congraçamento democrático, irreproduzível em qualquer outro tempo ou lugar. Para os entusiasmados foliões, tem o sentido de uma convidativa pausa, de saborosa descontração, que serve de ligeira compensação para as atribulações do dia a dia.

Espetáculo inigualável, vara os limites geográficos e alcança em cheio a sensibilidade dos habitantes de outras paragens, oferecendo a todos a marca inconfundível da arte e cultura de nossa gente. Presta-se também, com seu fascínio e magnetismo, a atrair aos numerosos cenários em que se desenrolam os eletrizantes folguedos um enorme contingente de turistas de todas as nacionalidades e idiomas.

Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Recife, Belo Horizonte — todos esses lugares não deixam por menos: aqui acontece o maior carnaval do Brasil! As imagens comprovam que todos têm parcela de razão. No mais, tudo acaba saindo como descrevem os antropólogos: Khronos cede lugar ao “tempo do rito” e a folia cria uma fenda na realidade.

Política na Avenida

Em ano eleitoral, até desfile carnavalesco pode ir parar nas barras do tribunal. O samba-enredo da escola de samba “Acadêmicos de Niterói”, retratando a história de Lula, desde migrante nordestino até a subida da rampa no Planalto, suscitou uma penca de ações judiciais pela oposição junto ao TSE, pedindo que seja decretada a inelegibilidade do já proclamado candidato à reeleição.

Enquanto isso, partidários e adversários do personagem celebrado na passarela tomam de assalto as redes sociais, alimentando querelas nada amistosas: uns exaltando a força da liderança de Lula, outros achincalhando-lhe a imagem. O episódio, ocorrido no primeiro dia dos desfiles na Marquês de Sapucaí, vale como amostra do que a campanha eleitoral à vista promete trazer. As petições protocoladas baseiam-se na premissa de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder econômico.

O argumento oferecido ao exame judicial é de que a exaltação da trajetória do atual presidente em evento de alcance global rompe a isonomia entre os candidatos. Por outro lado, a defesa explica que o enredo se limita à liberdade de cátedra e artística, tratando-se de uma homenagem biográfica comum no histórico dos sambas, sem pedido explícito de voto — critério jurídico essencial para a configuração de irregularidade.

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