Da Sapucaí ao TSE: O maior espetáculo da Terra
“Nada nem de leve parecido em nenhuma parte do mundo.” (Paul Powells, jornalista)
Fevereiro chegou, tem Carnaval. Um punhado de dias regidos pela arrebatante cadência do samba. É assim neste país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, como canta Jorge Ben Jor.
O maior espetáculo da Terra encharca de alegria espontânea e genuína as enfeitadas ruas e praças de nossas cidades. Trata-se da mais feérica comemoração lúdica, rítmica e musical de que se tem notícia. Aglutina incalculáveis multidões de todos os estamentos sociais em saudável congraçamento democrático, irreproduzível em qualquer outro tempo ou lugar. Para os entusiasmados foliões, tem o sentido de uma convidativa pausa, de saborosa descontração, que serve de ligeira compensação para as atribulações do dia a dia.
Espetáculo inigualável, vara os limites geográficos e alcança em cheio a sensibilidade dos habitantes de outras paragens, oferecendo a todos a marca inconfundível da arte e cultura de nossa gente. Presta-se também, com seu fascínio e magnetismo, a atrair aos numerosos cenários em que se desenrolam os eletrizantes folguedos um enorme contingente de turistas de todas as nacionalidades e idiomas.
Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Recife, Belo Horizonte — todos esses lugares não deixam por menos: aqui acontece o maior carnaval do Brasil! As imagens comprovam que todos têm parcela de razão. No mais, tudo acaba saindo como descrevem os antropólogos: Khronos cede lugar ao “tempo do rito” e a folia cria uma fenda na realidade.
Política na Avenida
Em ano eleitoral, até desfile carnavalesco pode ir parar nas barras do tribunal. O samba-enredo da escola de samba “Acadêmicos de Niterói”, retratando a história de Lula, desde migrante nordestino até a subida da rampa no Planalto, suscitou uma penca de ações judiciais pela oposição junto ao TSE, pedindo que seja decretada a inelegibilidade do já proclamado candidato à reeleição.
Enquanto isso, partidários e adversários do personagem celebrado na passarela tomam de assalto as redes sociais, alimentando querelas nada amistosas: uns exaltando a força da liderança de Lula, outros achincalhando-lhe a imagem. O episódio, ocorrido no primeiro dia dos desfiles na Marquês de Sapucaí, vale como amostra do que a campanha eleitoral à vista promete trazer. As petições protocoladas baseiam-se na premissa de propaganda eleitoral antecipada e abuso de poder econômico.
O argumento oferecido ao exame judicial é de que a exaltação da trajetória do atual presidente em evento de alcance global rompe a isonomia entre os candidatos. Por outro lado, a defesa explica que o enredo se limita à liberdade de cátedra e artística, tratando-se de uma homenagem biográfica comum no histórico dos sambas, sem pedido explícito de voto — critério jurídico essencial para a configuração de irregularidade.
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