Artigo

Entre Gaza e Brasília: o significado do ‘não’ pontifício

Papa Leão XIV declinou do convite de Trump para fazer parte do seu “Conselho da Paz sobre Gaza”
Entre Gaza e Brasília: o significado do ‘não’ pontifício
Foto: Ciro De Luca/Reuters

“A ONU é que deve dirigir situações de crise.” — Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado da Santa Sé

Em memorável decisão, que ressoou forte nos corredores da Casa Branca e na imponente e sagrada Basílica de São Pedro, o Papa Leão XIV deu um categórico “não” como resposta ao convite de Donald Trump para que o Vaticano esteja presente no colegiado do chamado “Conselho da Paz sobre Gaza”. A negativa está sendo vista pelos observadores internacionais como um verdadeiro clamor de resistência ao despropositado ordenamento global pretendido por Washington.

Anotemos o que está se passando. De um lado, o governo estadunidense, firmemente empenhado na implantação de uma réplica da ONU sob seu domínio, acelera os planos para transformar a Faixa Palestina num gigantesco empreendimento imobiliário de infraestrutura comercial, com a promessa de assegurar a “paz através da prosperidade”. De outro lado, a Santa Sé não apenas declina do assento em uma mesa bilionária — onde cada participante assume uma cota de 1 bilhão de dólares —, mas lança um desafio teológico e diplomático à visão de “paz comercial” da atual administração americana.

Vê-se, assim, com bastante clareza, que para o primeiro papa norte-americano da história, a reconstrução de uma terra martirizada não pode ser tratada como um empreendimento corporativo, mas sim, no reverso, como um maiúsculo processo de reconciliação humana sob a égide da comunidade internacional, obviamente representada pelas Nações Unidas. O Vaticano, como sempre, do alto de sua força moral, exprimiu-se neste episódio típico dos tempos conturbados que o mundo atravessa, de forma a fazer-se arauto legítimo dos anseios da Humanidade.

2) Maracutaia do Master – O chamado “caso Master” vem rendendo “novidades” à mancheia. A cada dia, um lance mais desconcertante. Como se anda dizendo no tagarelar inconformado das ruas, as investigações podem ser assim, prosaicamente, resumidas: “É só puxar uma pena que vem a galinha inteira”. A expectativa natural é de que as apurações corram de modo ligeiro, definindo culpados, dissipando dúvidas e desfazendo suspeições, se for o caso.

A situação investigada manchou indesejavelmente o trabalho importante levado a cabo pelo STF. O Ministro Dias Toffoli deixou a relatoria, por “livre e espontânea vontade” de seus pares, à vista de indícios comprometedores, sujeitos a averiguações mais completas e convincentes. Seus companheiros na Alta Corte externaram-lhe apoio e solidariedade pelas ações na função desempenhada. O vazamento de pronunciamentos feitos em reuniões sigilosas que trataram do assunto gerou mal-estar na instituição. O desdobramento mais recente do caso envolve a liquidação, pelo Banco Central, de um novo banco, pertencente a um ex-sócio dirigente do Master.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas