A ‘democracia americana’ faz a realidade imitar a ficção
“Deus está gostando do que faço” (Donald Trump)
Mas que doidice é essa, santo Deus?!
Líder político importante dando sinais visíveis de confusão mental, alçado ao posto supremo da nação mais poderosa do mundo, famoso por tosca interpretação da vida, resolve de súbito redesenhar a ordem mundial. Em seus delírios de grandeza, escorado em argumentos excêntricos, decide alterar procedimentos consolidados na convivência entre os povos, atropelando regras, protocolos, tratados e ameaçando tomar “na marra” territórios alheios. Em suma, agride valores democráticos, tão sagrados à alma americana. Faz a realidade imitar a ficção. 25 e 26 andam parecendo “1984”, George Orwell que o diga.
A avalanche dos atos editados, somada à imprevisibilidade de Trump – é dele, naturalmente, estamos falando – vem gerando inquietação, temores. Em seu próprio país a “caça às bruxas”, abrangendo deportações em massa de imigrantes, virou um teatro de horror. Agentes mascarados, que nem nos filmes de terror, invadem casas, locais de trabalho, escolas, agindo com ferocidade na detenção de pessoas de outras nacionalidades em situação irregular e mesmo até em situação legal. Nem crianças são poupadas, nesses “pogroms hodiernos” que remetem a tristes lembranças do século 20…
Cá está um lance doloroso dessa tétrica novela de perseguição a imigrantes: numerosos cidadãos venezuelanos evadidos de seu país por conta da tirania do regime de Chávez e Maduro, foram levados dos EUA para El Salvador e jogados nas celas do temível presídio ali alugado por Washington. Contra os mesmos não pesavam quaisquer “acusações” que não fosse a de inimigos da ditadura ainda encastelada em Caracas, da qual o exercente da Casa Branca tornou-se aliado incondicional, a ponto de não se ruborizar quando dos elogios que faz a atual dirigente do país de que se intitula “presidente interino”.
O monopólio das manchetes tem ficado, ultimamente, por conta das afrontações de Trump, suas bizarrices malévolas, seu narcisismo perverso, sua insopitável vocação imperial. O pacote de maldades é inesgotável. Sua mais recente “invenção” é a criação de uma ONU paralela, onde pontifique como presidente vitalício, único com direito a veto. Faz todo sentido as pessoas perguntarem, umas às outras, como sair dessa enrascada? Quem irá conter a pororoca dos desatinos? Analisando serenamente os desconcertantes fatos confrontados geopolíticos do momento, a responsabilidade quanto ao desfazimento do “nó górdio” criado pela megalomania de Trump pertence por inteiro, insubstituivelmente, à cidadania estadunidense.
É da nação que tão bem encarna o sentimento democrático com participação decisiva na estruturação política e jurídica dos tempos contemporâneos, que fatalmente surgirá a reação capaz de conter a impulsividade perturbadora, patogênica mesmo, de seu atual dirigente, que sustenta, insanamente, que Deus aprova o que vem fazendo. Esperar pra ver…
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