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A verdadeira segurança de Minas começa pela transparência

Mais do que um valor administrativo, a transparência é um instrumento de segurança
A verdadeira segurança de Minas começa pela transparência
Crédito: Adobe Stock

A crise fiscal de Minas Gerais voltou ao centro do debate público. A cada nova votação e a cada número revelado, percebemos o quanto ainda caminhamos às cegas quando o assunto é a real situação financeira do Estado. E, embora o tema pareça distante do cotidiano da população, ele tem relação direta com aquilo que mais preocupa o mineiro: a segurança pública.

Quando as contas não fecham, quem sente primeiro são os serviços essenciais. E segurança é, antes de tudo, um serviço. Ela depende de investimento contínuo, inteligência, estrutura, profissionais valorizados e integração entre instituições. No entanto, quando convivemos com perda de arrecadação, renúncia fiscal mal explicada e decisões tomadas sem a devida transparência, é impossível planejar políticas de segurança com previsibilidade — e previsibilidade é a base de qualquer estratégia eficiente.

O estado que não apresenta com clareza suas contas também não consegue garantir estabilidade institucional. Sem dados confiáveis, não há como projetar contratações, fortalecer tecnologias, modernizar operações ou expandir programas preventivos. A consequência é uma polícia que trabalha no limite, bombeiros que fazem muito com pouco e um sistema que vive reagindo, em vez de se antecipar.
Em Minas, discutimos privatizações, mudanças societárias e renegociações bilionárias, mas não discutimos, com a mesma ênfase, o impacto disso na segurança do cidadão. Toda vez que o orçamento aperta, áreas essenciais disputam recursos entre si. E, sem uma regra clara, vence quem grita mais, não necessariamente quem mais precisa. A segurança pública não pode depender de disputas políticas ou da boa vontade de gestões isoladas. Ela precisa ser tratada como política de Estado.

O que temos visto é que a falta de fiscalização e de incentivos na área tributária compromete também a segurança. Quando o Estado deixa de arrecadar mais de R$ 600 milhões por mês, como apontam estudos de entidades de fiscalização, perde-se a capacidade de investir em patrulhamento, viaturas, equipamentos de proteção, capacitação e inteligência, pilares fundamentais para reduzir a criminalidade. A sonegação não prejudica apenas as contas públicas; ela enfraquece a proteção social e expõe o cidadão ao risco.

Transparência, portanto, não é apenas um valor administrativo. É um instrumento de segurança. É a partir dela que planejamos operações, definimos metas realistas, projetamos expansão de efetivo, fortalecemos prevenção e garantimos ao cidadão que o Estado cumpre seu papel.

Minas Gerais precisa abrir sua caixa-preta fiscal não para alimentar disputas políticas, mas para recuperar a confiança da população e das suas forças de segurança. Quando sabemos onde estamos, podemos saber para onde ir e, principalmente, como proteger melhor quem vive aqui.

A segurança pública é a linha que sustenta a vida social. E essa linha exige estabilidade. Sem contas claras, não haverá estabilidade; sem estabilidade, não há segurança. O que está em debate, portanto, não é apenas o futuro financeiro de Minas, mas a capacidade do Estado de garantir o que é mais básico: a vida de seu cidadão.

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