O Brasil que prova, escolhe e se reinventa
O Brasil colocou à prova alguns dos paladares mais treinados do País durante o Campeonato Brasileiro de Cup Tasters 2026, que aconteceu nesta semana. A competição, que seleciona o representante nacional para o mundial, que será realizado em Bangkok, em maio, revelou mais do que um campeão: mostrou a força de uma cadeia cada vez mais técnica, conectada e consciente do seu papel em um mercado que amadurece ano após ano e ganha relevância no cenário internacional.
Conversamos com Jacques Carneiro, campeão desta edição, diretor de inovação da Unique Cafés Especiais e um nome respeitado no setor. Mais do que vencer, Jacques retorna ao topo após quase duas décadas. Ele já havia conquistado o terceiro lugar no mundial, em 2007, e traz consigo uma visão madura sobre o café brasileiro, construída ao longo de uma trajetória que mistura origem, prática e mercado.
Carneiro falou sobre mercado, aspectos sensoriais e mudanças no ecossistema do café. Confira:
Como funciona a competição? “São oito trios de xícaras, em que duas são iguais e uma é diferente. O objetivo é identificar a distinta no menor tempo possível. Ganha quem acerta mais e, em caso de empate, quem for mais rápido.”
Mais do que um teste sensorial, a prova exige concentração extrema, memória gustativa apurada e consistência. Segundo Jacques, essas habilidades evoluíram significativamente no Brasil, acompanhando o crescimento do café especial no país e o aumento do nível de exigência do consumidor.
O que mudou em quase 20 anos? “O nível técnico hoje é altíssimo. Antes, eram poucos provadores com esse conhecimento. Hoje temos centenas, milhares de profissionais preparados, que impactam diretamente a qualidade da xícara que chega ao consumidor.”
Qual o impacto disso para o mercado? “É fundamental. O provador define o destino de um café: se ele é bom, para onde vai e como será apresentado. Sem essa curadoria, não existe diversidade nem consistência na experiência do consumidor.”
Agora, o próximo passo é internacional. Jacques representará o Brasil no mundial, em Bangkok, e encara o desafio com seriedade, preparo e ambição de resultado.
Qual a expectativa para o mundial? “Quero treinar muito. Não vou para brincar. Vou competir, tentar trazer esse troféu e fazer o meu melhor, representando toda essa categoria do café do Brasil.”
Ao final da conversa, Jacques deixa um conselho que vai além das competições: “Tem que se expor. É assim que a gente cresce.”
Em um mercado que ganha cada vez mais sofisticação e visibilidade global, talvez seja exatamente isso que o Brasil esteja fazendo: se expondo mais, se testando mais e, principalmente, se posicionando como origem de qualidade, diversidade e protagonismo no café especial.
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