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Catuaí IAC: a variedade que marcou a história do café brasileiro

Produto se tornou símbolo de adaptação, produtividade e impacto direto no circuito mundial do café

No universo do café brasileiro, poucas palavras são tão reverenciadas quanto Catuaí. Por trás desse nome está uma história que atravessa décadas de pesquisas, experimentos e escolhas técnicas que transformaram a cafeicultura no Brasil. Desenvolvida pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC), a variedade Catuaí se tornou sinônimo de adaptação, produtividade e impacto direto no circuito mundial do café, um legado construído com ciência, paciência e visão estratégica.

O Catuaí nasceu no IAC, fruto de um longo programa de melhoramento genético que já vinha desde meados do século XX. A ideia era combinar atributos desejáveis de outras cultivares para gerar um material que respondesse às demandas dos cafeicultores brasileiros. O ponto de partida foi o cruzamento entre duas linhagens consagradas: Mundo Novo e Caturra Amarelo. Essa combinação buscava unir a rusticidade e alta produtividade do Mundo Novo com o porte compacto do Caturra, características essenciais para facilitar o manejo e otimizar a colheita.

O resultado foi a variedade Catuaí, originalmente desenvolvida no final da década de 1960 e lançada comercialmente nos anos seguintes. Desde então, a planta conquistou o coração dos cafeicultores por sua versatilidade. Com porte mais baixo e copa compacta, o Catuaí permite maior densidade de plantio, reduz custos e facilita práticas agrícolas, fatores que o tornaram uma das cultivares mais plantadas no país por décadas.

Dados históricos mostram que o Catuaí e a cultivar Mundo Novo, ambos desenvolvidos no IAC, chegaram a representar uma vasta maioria das lavouras brasileiras, respondendo por grande parte dos cafés arábica produzidos no país, um testemunho do impacto profundo dessas pesquisas no agronegócio cafeeiro.

Mais recentemente, o Instituto Agronômico de Campinas não apenas preservou essa tradição, como também evoluiu o conceito ao desenvolver linhagens modernas que mantêm a essência do Catuaí, como a IAC Catuaí SH3. Essa versão atualizada reúne atributos desejáveis para o produtor contemporâneo: boa produtividade, maior resistência à ferrugem, uma das grandes ameaças ao cafeeiro, tolerância à seca e qualidade de bebida que se destaca no mercado de especialidades.

Em termos sensoriais, a linhagem Catuaí costuma apresentar uma xícara equilibrada, com corpo harmonioso, acidez agradável e notas que podem remeter a chocolate, caramelo ou até toques mais frutados, dependendo do terroir e do processamento adotado. Em competições e avaliações especializadas, cafés Catuaí bem manejados já figuraram entre os destaques nacionais, inclusive em premiações como o Cup of Excellence, onde lotes dessa variedade alcançaram posições de destaque entre os classificados e concorrentes mais bem avaliados, um indicativo do potencial de qualidade que vai além da mera produtividade.

A importância do Catuaí, no entanto, não se limita apenas ao cenário técnico ou econômico. Ele representa como a pesquisa científica aplicada pode transformar realidades: uma cultivar criada em laboratório se tornou protagonista no campo, impactando gerações de cafeicultores, contribuindo para o crescimento de regiões produtoras e ajudando a construir a reputação do café brasileiro no exterior. O trabalho iniciado no IAC reflete compromisso com inovação contínua, uma história que se estende por décadas mas que segue atual, com novos materiais surgindo e continuando a tradição de excelência

Mais do que uma variedade amplamente cultivada, o Catuaí IAC simboliza a capacidade da cafeicultura brasileira de evoluir sem perder suas raízes. Um café que atravessa gerações, expressa diferentes terroirs e segue presente nas xícaras de quem busca qualidade, consistência e identidade.

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