Caminhos sustentáveis

Nono dia da COP30: sistemas alimentares

Programação foi dedicada às práticas agrícolas e aos sistemas alimentares

O nono dia foi dedicado às práticas agrícolas e aos sistemas alimentares. Dez países (Brasil, Austrália, Canadá, Japão, Nova Zelândia, Noruega, Peru, Arábia Saudita, Uruguai e Reino Unido) se uniram para lançar o Acelerador RAIZ (Resilient Agriculture Investment for Net-Zero Land Degradation), uma iniciativa que visa restaurar terras agrícolas degradadas. Ela se baseia no Caminho Verde e no EcoInvest, realizados no Brasil, que mobilizaram cerca de US$ 6 bilhões em dívida pública e empréstimos comerciais para restaurar até 3 milhões de hectares de pastagens.

Esse é um problema importante, pois, segundo dados do Governo Federal, o Brasil possui cerca de 100 milhões de hectares degradados e, segundo dados da FAO, esse número chega a quase 1 bilhão de hectares no mundo. De acordo com o anúncio, o dano é reversível, e a restauração de 10% desse montante poderia render 44 milhões de toneladas de alimentos por ano, o suficiente para satisfazer as necessidades nutricionais de 154 milhões de pessoas.

Também foi lançado o TERRA, um plano para acelerar soluções no âmbito da Agenda de Ação da COP30. Ele busca colocar os agricultores familiares e os povos tradicionais no centro da transformação dos sistemas alimentares e fortalece a agroecologia (AE) e a agrofloresta (AF). Entre as principais ações estão o fortalecimento de cooperativas e associações de produtores, a expansão dos centros de formação, a construção de fundos de capital e a ampliação do acesso a sementes nativas, biofertilizantes, biopesticidas e maquinaria adaptada.

Outra preocupação presente hoje na COP foram os sistemas alimentares aquáticos e a aquicultura de algas. O objetivo é acelerar as soluções para tornar esses sistemas mais resilientes ao clima. Nesse sentido, busca-se a integração de alimentos aquáticos e algas nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDC) e nos Planos Nacionais de Adaptação (NAP), o fortalecimento de sistemas globais de dados, o estabelecimento de bancos de germoplasma nacionais e o desbloqueio de financiamento para pequenas e médias empresas, comunidades, mulheres e jovens.

No Pavilhão Cidades Resilientes, participei de dois painéis. No primeiro, debatemos boas práticas e inovações colaborativas que podem mudar a realidade de pessoas na base da pirâmide, principalmente em áreas rurais. Conhecemos os exemplos da TRIAS e da Amazônia Revival. Na parte da tarde, mediei o debate sobre Agricultura Regenerativa, que contou com a participação do diretor de sustentabilidade da Bayer, Felipe Albuquerque, e de Thiago Chang, diretor de iniciativas estratégicas da Technoserve. Ficaram claras as necessidades de compreensão mais aprofundada dos produtores, a expansão do trabalho em parceria e a necessidade de integração de soluções baseadas na natureza com soluções de base tecnológica. Diante da urgência atual, não se trata mais de uma coisa ou outra, mas de como utilizar as melhores alternativas disponíveis para resolver os problemas e gerar resultados econômicos, sociais e ambientais.

No Pavilhão do Consórcio da Amazônia Legal, foi lançado o primeiro diagnóstico integrado dos crimes ambientais na Amazônia brasileira. O documento reúne evidências sobre dinâmicas criminais, capacidades operacionais e desafios enfrentados pelos estados na proteção da floresta, e evidencia a necessidade de um esforço articulado para combater o crime organizado na região, que opera de maneira complexa e transnacional.

Por fim, o Fossil of the Day foi concedido à União Europeia, com uma menção desonrosa à Arábia Saudita. A União Europeia recebeu o prêmio pelo conjunto da obra, já que se apresenta como líder climática no discurso, mas bloqueia negociações essenciais relativas às dívidas e desastres climáticos, ao financiamento de países em desenvolvimento e à justiça climática. Já a Arábia Saudita é acusada de minar avanços climáticos, atacar direitos humanos e tentar deslegitimar a ciência do IPCC.

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