Surge novo paradigma da sustentabilidade
Durante décadas, a sustentabilidade foi guiada quase exclusivamente pela lógica da pegada ambiental. Medir impactos negativos, emissões, consumo de recursos, geração de resíduos, tornou-se quase uma obsessão das políticas corporativas e dos relatórios de responsabilidade socioambiental.
A pegada cumpriu um papel essencial, pois buscou trazer transparência, expôs excessos e obrigou empresas a reduzirem danos. Mas, à medida que a crise climática se intensifica, fica evidente que apenas diminuir impactos já não basta, é preciso um movimento que crie mudanças muito mais profundas e amplificadas.
É nesse contexto que surge o “handprint”, que seria traduzido como “marca da mão”, mas prefiro traduzir como digital ou só marca.
Essa inovação conceitual começa a se disseminar globalmente e propõe uma virada de chave. Enquanto a pegada olha para o que retiramos do planeta, a marca de mão olha para como fomentamos os ciclos naturais. Ela mede o impacto positivo gerado por ações que regeneram ecossistemas, fortalecem comunidades, reduzem emissões de terceiros ou criam soluções que ampliam benefícios coletivos. Trata-se de uma mudança profunda porque desloca a sustentabilidade do campo da compensação para o da contribuição.
A diferença entre os dois conceitos pode ser percebida na prática. Quando uma empresa reduz o consumo de energia, ela diminui sua pegada, mas quando ela investe em energia renovável que abastece também a comunidade ao redor, ela amplia sua marca, sua digital de sustentabilidade. Quando uma indústria otimiza processos para gerar menos resíduos, reduz sua pegada, mas quando ela recria produtos para que seus clientes também gerem menos resíduos, expande sua marca, sua digital. A pegada corrige o passado; a digital projeta o futuro.
Os dois conceitos não competem. Eles se complementam. A pegada estabelece o mínimo ético da responsabilidade ambiental. A marca ou digital aponta para o máximo da ambição climática e essa combinação é decisiva porque o desafio atual exige mais do que neutralidade, exige regeneração, inovação e colaboração em escala.
Organizações públicas, privadas e do terceiro setor que compreendem essa mudança deixam de ser apenas gestoras de riscos e passam a ser agentes de transformação. Elas entendem que: impacto positivo não é filantropia, mas estratégia; não é custo, mas valor; não é discurso, mas vantagem competitiva.
O momento pede essa virada, porque na velocidade atual, estamos colocando em risco nossa própria existência e quem duvida disso, pare e sinta o calor que está fazendo.
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