Capitalismo Consciente

Comunicação: como a cultura molda relacionamentos interpessoais nas organizações

O ato de comunicar também tem um viés ético e político

Organizações são feitas de pessoas. E é justamente a qualidade das relações interpessoais que define a saúde de qualquer ambiente corporativo. Nesse contexto, a comunicação assume seu papel mais delicado e poderoso: a linguagem emocional e simbólica que orienta como nos tratamos, damos feedback, tomamos decisões, ouvimos o outro e nos deixamos transformar.

Empresas com culturas mais humanizadas são aquelas que valorizam escuta ativa, criam ambientes mais criativos, colaborativos e com menor turnover. Já culturas mais rígidas ou centradas apenas em resultados (é claro que resultado é o fim de qualquer organização, mas aqui estamos falando de cultura) tornam a comunicação um escudo, e não uma ponte.

O motivo é simples: a cultura estabelece o “campo de possibilidades e responsabilidades” da comunicação interpessoal. Sem incentivo à escuta, os diálogos não acontecem. Sem valorização da vulnerabilidade, feedbacks se tornam armas. Sem abertura para diversidade, a comunicação se converte em conflito latente ou silêncio forçado.

Comunicar também é um ato ético e político. Cada palavra, tom e escolha sobre o que enfatizar ou omitir molda os valores da organização. Liderar, portanto, é em sua essência comunicar. Líderes em quaisquer posições que usam a comunicação como ferramenta estratégica conseguem inspirar, mobilizar e transformar realidades. Por outro lado, quem desconsidera essa disciplina torna-se refém de ruídos, crises, retrabalhos e desengajamento.

Para prosperar de forma sustentável e significativa, as organizações precisam colocar comunicação e cultura no centro das decisões. Isso envolve incluir profissionais de comunicação nos conselhos deliberativos, criar rituais contínuos de feedback e escuta, co-criar a cultura com os colaboradores e garantir que o storytelling corporativo seja coerente com a realidade vivida.

Cultura e comunicação juntas são ativos intangíveis fundamentais. Elas determinam a capacidade de adaptação, inovação, atração de talentos, manutenção da reputação e cumprimento do propósito.
Líderes ainda são vistos muitas vezes como rígidos e analíticos — e isso nem sempre é errado. O modelo tradicional prioriza lógica, objetividade e decisões baseadas em dados. Mas números sem narrativa não criam vínculo. Como lembra Simon Sinek: “As pessoas não compram o que você faz, mas o porquê você faz”, e esse ditado é válido tanto externa quanto internamente.

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