Capitalismo Consciente

O futuro do presente

Futuro que desejamos depende do que construímos hoje

Falar de futuro é tratar do presente. O futuro que desejamos, que queremos viver ou deixar para nossos filhos, depende do que construímos hoje. Essa ideia, aparentemente simples, é o pilar de uma visão sustentável do mundo.

Sustentabilidade refere-se a olhar para nossas demandas do presente, atendê-las, mas sem comprometer a capacidade das gerações futuras atenderem às suas próprias. É uma definição que traz dois conceitos essenciais: necessidade e legado, mas ainda não esgotamos o debate sobre a quais necessidades nos referimos e o que são os parâmetros para uma demanda atendida de modo adequado.

A economista Kate Raworth incluiu o aspecto social na equação do desenvolvimento para demonstrar que a necessidade econômica do presente não é justificativa para negligenciarmos a promoção da igualdade.

Ela desenvolveu um modelo econômico didático, chamado Economia da Rosquinha, que delimita os limites da vida no planeta entre um teto ecológico e um piso social. A quebra dessas barreiras gera desequilíbrio, comprometendo a qualidade de vida ou a sobrevivência da nossa espécie no longo prazo.
No Brasil, já ultrapassamos cinco dos sete parâmetros para o teto ecológico, como emissões de CO2 e pegada ecológica, para citar apenas dois. No aspecto social, ainda temos desafios relacionados ao saneamento, à equidade, à expectativa de vida, à saúde e educação.

Quando olhamos essas variáveis e nos comparamos a outros países sob o ponto de vista de consumo, produção industrial, acesso à educação, infraestrutura, saúde e outros marcadores temos dificuldade de ter clareza do espectro de necessidades que consideramos que precisam ser atendidas para nos mantermos dentro do espaço justo e seguro para a humanidade. Onde está o equilíbrio? Qual o padrão de consumo é desejável para qualquer cidadão, de qualquer país, para alcançarmos mais justiça e igualdade?

A outra baliza do conceito de sustentabilidade é o legado. No livro Como Ser um Bom Ancestral, Roman Krznaric fala que devemos pensar em, pelo menos, sete gerações à frente, assumindo nossa responsabilidade intergeracional. Com esse senso de compromisso com nossa linhagem, talvez fique mais fácil repensarmos nossas decisões individuais, políticas e econômicas com uma perspectiva mais ampla e profunda no tempo.

O padrão de vida de alguns cidadãos, hoje, já não poderá ser repetido por seus filhos, netos, bisnetos, trinetos ou tataranetos, porque, simplesmente, não haverá condições socioeconômicas e recursos naturais para manutenção dos mesmos parâmetros. A sustentabilidade é o caminho e precisamos, juntos, pensar alternativas para agirmos rápido.

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