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Mês das mulheres: como celebrar a data sem se alienar dos desafios da desigualdade de gênero

O 8 de março é um marco de reflexão e celebração, mas a persistência da desigualdade de gênero demanda um olhar atento para avanços e desafios
Mês das mulheres: como celebrar a data sem se alienar dos desafios da desigualdade de gênero
Foto: Adobe Stock

Em 1975, após décadas de reivindicações dos movimentos de mulheres ao redor do mundo, a Organização das Nações Unidas oficializou o 8 de março, transformando a data em um marco global de reflexão sobre direitos, igualdade e cidadania feminina.

Mais de um século depois, o Dia Internacional das Mulheres se mantém um importante marco político: um espaço para reivindicar direitos, promover debates e, também, celebrar conquistas.

Ainda somos atravessados por notícias reais sobre violências e outros desafios que revelam a persistência da desigualdade de gênero em escala global. No entanto, olhar para os avanços é igualmente necessário, para alimentar a esperança e aspirar a construção de futuros com mais equidade.

Na última década, as mulheres avançaram de maneira significativa em diversas frentes. No mundo, aumentou o número de países com legislações específicas de combate à violência doméstica, ampliaram-se políticas de licença parental e, em grande parte do planeta, a presença feminina nas universidades já supera a masculina. Mulheres passaram a liderar governos, empresas e importantes centros de pesquisa científica. No Brasil, decisões judiciais passaram a reconhecer a desigualdade de gênero como agravante em diversos casos e cresceu a presença feminina em áreas historicamente masculinizadas, como engenharias e tecnologia.

O empreendedorismo feminino também se expandiu e hoje, mulheres já lideram
milhões de pequenos negócios no país.

Histórias recentes, como a da Dra. Tatiana Sampaio, que liderou o desenvolvimento de um tratamento à base de polilaminina, devolvendo esperança a pacientes com lesão medular, ajudam a ampliar nossa perspectiva de futuros com mais protagonismo feminino, o que em nada significa desabono para os homens. Quando mulheres participam da criação tecnológica, as possibilidades se expandem para
todos e outras perguntas entram em cena: como reduzir o trabalho invisível? Como proteger dados pessoais? Como fortalecer vínculos comunitários? Como fazer a tecnologia sustentar a vida?

No nosso dia a dia, a desigualdade de gênero permanece profunda. Em muitos países, meninas ainda têm acesso limitado à educação básica e direitos reprodutivos seguem sendo restringidos, mas ainda assim é possível tornar este mês de março um espaço para celebração.

Talvez o ponto-chave seja não agir de forma alienada. Que tal convidar também os homens para a conversa? Este é um ponto importante, que muitas organizações esquecem de considerar: no dia a dia, homens e mulheres ocupam juntos os mesmos espaços, por isso, é fundamental que todos realmente compreendam que, quando as mulheres avançam, toda a sociedade ganha e que celebrar as mulheres
não é apenas sobre parabenizar, mas contribuir para que elas vivam com segurança, autonomia e possibilidades de sonhar um futuro melhor.

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