Diversidade em Foco

O que fazer para diminuir a violência de gênero? É hora de agir; homens, precisamos de vocês

O Brasil atingiu o maior número de feminicídios e estupros da história: quatro mortes por dia e dez estupros por hora

Estamos em março, “mês das mulheres”, e as notícias que nos chegam, todos os dias, ao invés das tão questionáveis flores e bombons, são de mortes e abusos violentos contra as mulheres: uma jovem de 17 anos foi vítima de estupro coletivo no Rio de Janeiro; uma freira foi estuprada e assassinada dentro de um convento no Paraná; uma idosa de 71 anos foi estuprada dentro de um ônibus pelo motorista; uma mulher de 30 anos foi esfaqueada pelo ex-marido em pleno 08 de março. O Brasil atingiu o maior número de feminicídios e estupros da história: 4 mortes por dia e 10 estupros por hora.

Nas palestras que venho fazendo nas empresas esse ano, a pergunta que fica é: porque isso está ocorrendo? Qual o motivo para essa crise tão grave? O que fazer? Essas não são perguntas simples e muito menos se resumem num único aspecto, parafraseando a Kimberlé Crenshaw, não existem soluções simples para problemas complexos e para tratar problemas sociais é preciso nomeá-los. Portanto, vou tentar abaixo listar alguns pontos de tudo o que tenho lido e observado a respeito, não com o intuito de trazer uma conclusão, mas sim de contribuir com uma conversa que precisa ser levada a sério e rápido.

Para algumas estudiosas vivemos hoje um “ressentimento de gênero” o que significa que homens se ressentem pois entendem que a vida deles é pior do que a vida das mulheres. Isso porque a socialização masculina constrói o ideal do homem como provedor e viril e, em um contexto de crise do capitalismo, a vida desse homem é pior do que a do pai deles o que os torna cada vez mais rígidos e conservadores.

Em contrapartida, a despeito de todas as dificuldades, as mulheres têm uma vida melhor do que as das suas ancestrais: elas trabalham, votam, são independentes, estudam, progridem, proveem seus filhos, muitas vezes sozinhas, e são cada vez mais progressistas. Esse ressentimento não apenas reforça a cultura da violência, mas tem sido usado por perfis de homens conservadores nas redes sociais para acirrar o ódio e influenciar meninos adolescentes, fenômeno conhecido como machosfera.

Recente pesquisa realizada pelo King´s College, com 23 mil homens e mulheres sobre questões de gênero em 29 países, revela que 70% dos brasileiros (entre homens e mulheres) acreditam que os homens estão sendo exigidos demais para apoiar a igualdade com mulheres.

E olhando para um recorte de gerações, 31% dos homens da geração Z concordam que “a esposa deve obedecer ao marido”, contra 17% dos boomers. Ou seja, em pleno século XXI, estamos diante de um retrocesso quando o assunto é a socialização de meninos, diante desse cenário, a conta não fecha e a violência só aumenta.

Voltando à pergunta inicial, o que fazer? Longe de querer traçar uma solução simplista para um problema que como disse é tão complexo, vou listar algumas dicas que são as que tenho proposto para os homens que me abordam durante as palestras: Conversem e acompanhem os meninos com os quais vocês se relacionam em casa e no trabalho, perguntem para eles o que eles pensam sobre “ser homem”; expliquem para eles o que é consentimento; rompam o silêncio quando vocês verem homens tendo atitudes machistas no trabalho; seja um agente multiplicador da pauta de gênero na sua empresa; questionem comentários machistas em rodas masculinas; acompanhem perfis nas redes sociais que ressignificam o padrão tóxico de masculinidade; leia e converse com mulheres feministas; aproxime-se do feminismo.

Chegamos em um momento que é preciso agir e rápido em prol de um mundo menos
violento para os nossos filhos e filhas. Essa precisa ser uma luta individual, pessoal,
profissional, comunitária e corporativa. Homens, precisamos de vocês!

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