Economia para Todos

Emprego cresce com fragilidades

Análises mais aprofundadas apontam sinais de desaceleração

O ano começou com saldo positivo para o mercado de trabalho formal no Brasil, registrando a criação de 112.334 empregos em janeiro. Esse resultado foi impulsionado pela Indústria, com 54.991 novas vagas, e pela Construção, com 50.545. Minas Gerais acompanhou esse movimento de expansão, fechando o mês com um saldo de 7.425 postos de trabalho, fruto de 225.801 admissões e 218.376 desligamentos.

Contudo, quando analisamos a qualidade dessas contratações sob a ótica da remuneração, vemos um desafio para MG. Enquanto o salário médio de admissão no Brasil foi de R$ 2.389,50, o trabalhador celetista mineiro ingressou no mercado recebendo, em média, R$ 2.219,29. O valor posiciona o estado com a menor remuneração de entrada do Sudeste, atrás de São Paulo (R$ 2.702,76), Rio de Janeiro (R$ 2.409,30) e Espírito Santo (R$ 2.303,40). A defasagem também se mantém na comparação com a Região Sul, onde todos os estados registram salários iniciais superiores aos de Minas. No Centro-Oeste, o rendimento mineiro supera apenas o de Goiás (R$ 2.152,11).

Embora o saldo positivo de vagas traga algum alívio, os dados mais detalhados apontam sinais de desaceleração. Em relação a janeiro de 2025, quando foram criadas mais de 154 mil vagas formais, houve retração de cerca de 27% no ritmo de geração de empregos no país. Além do volume menor, a composição das contratações revela fragilidade: dos 112.334 postos abertos no mês, 42% correspondem a vínculos considerados “não típicos”, como contratos intermitentes, temporários ou de jornada parcial. Soma-se a isso uma forte concentração demográfica, já que mais de 60% do saldo líquido foi absorvida por jovens de 18 a 24 anos (+69.185 postos), enquanto a faixa de 25 a 29 anos sofreu fechamento líquido de vagas (-2.723 postos). Isso aponta para uma dificuldade estrutural do mercado em reter profissionais que buscam consolidação e estabilidade salarial.

Diante da perda de tração do mercado de trabalho e do avanço de vínculos mais precários, as perspectivas para o restante do ano apontam para um cenário de moderação. A geração de vagas em 2026 deve perder força, refletindo a estagnação do PIB e os efeitos defasados da política monetária restritiva, que encarece o crédito e desestimula o investimento produtivo.

Nesse contexto, ganham relevância os debates em torno do fim da escala 6×1 e de seus potenciais impactos estruturais sobre o mercado de trabalho, caso a proposta avance. Como mencionei recentemente em entrevista a uma rede de televisão, trata-se de uma pauta legítima sob a ótica do bem-estar. Ainda assim, implica aumento do custo da mão de obra, que pode superar 20%, com efeitos mais intensos sobre setores intensivos em trabalho e sobre micro e pequenas empresas. A pauta, portanto, deve deixar de lado o oportunismo eleitoreiro e incluir todas as partes afetadas em um amplo debate.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas