Economia para Todos

Emprego sobe, participação cai

Embora a Força de Trabalho (PEA) tenha crescido, a População em Idade Ativa (PIA) ainda deixa a desejar

Dias atrás, me deparei com um estudo sobre o mercado de trabalho em Minas Gerais. Peço licença para trazer, neste espaço, algumas de suas conclusões, bem como tecer comentários a respeito, já me desculpando pela ausência dos devidos créditos, pois não consegui recuperar a autoria do material. O documento chama atenção, em especial, para uma dinâmica curiosa do mercado de trabalho mineiro: embora a taxa de desemprego tenha atingido mínimas históricas de 4,1% no terceiro trimestre de 2025 (os dados mais recentes disponíveis), a taxa de participação ainda não retomou o nível observado no período pré-pandemia.

Para compreender esse fenômeno, é preciso observar a própria metodologia utilizada pelo IBGE. A queda do desemprego em determinada região pode refletir tanto um aumento no número de pessoas empregadas quanto uma redução no contingente de indivíduos em busca de trabalho. No caso de Minas Gerais, os dados mostram que o desemprego permanece em patamar reduzido não apenas em função da geração de vagas, mas também porque o avanço da força de trabalho tem sido relativamente limitado nos últimos anos.

A taxa de participação, que mede a parcela da população em idade ativa que está ocupada ou buscando emprego, funciona como um termômetro da disposição dos cidadãos em integrar o mercado. Ela é o resultado direto da relação entre a Força de Trabalho (PEA) e a População em Idade Ativa (PIA). O que se observa em Minas Gerais é um “desencontro” estatístico: embora a PEA tenha crescido de maneira contínua desde 2021, sinalizando um retorno gradual dos trabalhadores, esse movimento não foi forte o suficiente para superar o crescimento da PIA.

A demografia, portanto, atua como um freio estrutural para esse indicador no estado. A população em idade ativa não apenas continua crescendo, como também está envelhecendo, e grupos mais idosos tendem a participar menos do mercado de trabalho. Esse peso demográfico empurra a taxa de participação para baixo, exigindo um fluxo de entrada de trabalhadores muito mais intenso para que o índice retorne aos 65,9% registrados antes de 2020.

Além das questões estruturais, o retorno parcial à força de trabalho sugere mudanças de comportamento e barreiras socioeconômicas. Muitos trabalhadores que deixaram o mercado durante a crise sanitária ainda não voltaram devido ao desalento ou ao aumento da escolarização entre os jovens, que optam por estudar em vez de buscar emprego imediato. Somam-se a isso as mudanças no chamado “salário reserva”, patamar mínimo que um indivíduo aceita para trabalhar, que pode ter sido influenciado pela expansão de programas de transferência de renda.

Assim, a estagnação da taxa de participação em Minas reflete um mercado que continua gerando vagas, mas enfrenta uma força de trabalho cujo crescimento não tem sido suficiente para compensar as transformações demográficas e sociais em curso no Estado.

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