Economia para Todos

Minas no cenário global

Exportações de 2025 revelaram uma mudança de protagonismo entre os pilares tradicionais do Estado

Minas Gerais encerrou 2025 registrando recorde no comércio exterior, reforçando a importância econômica do Estado no Brasil e no mundo. Com exportações atingindo US$ 45,7 bilhões, um crescimento de 8,6% sobre o ano anterior, Minas consolidou um saldo comercial robusto de US$ 27,3 bilhões. Esse desempenho, o maior desde 2010, colocou Minas Gerais na terceira posição entre os maiores exportadores do País, com 13,1% de participação nacional, em um contraste marcante com o déficit de US$ 15,4 bilhões registrado por São Paulo.

A pauta de exportações de 2025 mostrou uma mudança de protagonismo entre os pilares tradicionais do Estado. O minério de ferro registrou crescimento de 6,8% no volume embarcado, mas viu o valor total recuar 3,2%, devido à queda do preço médio internacional de US$ 95 para US$ 86,3 por tonelada. Em contrapartida, o café assumiu papel de destaque: apesar de uma redução de 10,6% no volume exportado, a valorização de 49,3% nos preços internacionais elevou sua participação de 18,6% para 24,7% nas vendas externas. O ouro também se destacou como porto seguro diante das incertezas geopolíticas, registrando alta de 56,8% em valor, o que levou o Canadá a entrar para a quinta posição entre os principais destinos de exportação do Estado.

No cenário das relações internacionais, a China manteve sua hegemonia, absorvendo 35% das exportações mineiras, puxadas pelo café, pelo ferro-nióbio e pela carne bovina. Já as vendas para os Estados Unidos sofreram forte impacto com tarifas impostas entre agosto e novembro do ano passado, resultando em queda de 42,3% no comparativo anual para o período, especialmente na siderurgia. Por outro lado, as importações de produtos norte-americanos cresceram 25,5%, com destaque para peças de turborreatores e turbopropulsores, cuja aquisição aumentou 104,6%, sinalizando o investimento crescente de Minas Gerais em aeronaves e bens de alto valor agregado.

Para 2026, o cenário não é tão claro. A economia global mostra sinais mistos: a China alcançou crescimento de 5%, enquanto os Estados Unidos seguem sustentados pelo consumo interno e pelo setor de tecnologia, garantindo demanda estável para nossos produtos. De toda forma, a pauta externa de Minas Gerais precisa evoluir de fornecedora de volumes para exportadora de soluções e valor agregado.

A forte dependência de minério de ferro e do café, que juntos representam mais da metade das exportações, expõe o Estado à volatilidade dos preços globais. O caminho de evolução passa pela verticalização industrial e tecnológica, capturando margens maiores, como evidenciado no crescimento das importações de componentes aeroespaciais de alta complexidade. Cada vez mais, esse processo deve ser sustentado por práticas de sustentabilidade e diversificação geográfica, funcionando como proteção contra tensões geopolíticas e eventuais barreiras tarifárias.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas