As lições de liderança e propósito do cão Orelha
Impossível não escrever a coluna da semana ligada ao cão Orelha. Um cão que era patrimônio coletivo da sociedade de Florianópolis que foi brutalmente assassinado com um bastão de beisebol.
Mas qual a semelhança dos comportamentos e efeitos de liderança e propósito relacionados ao fato?
Separei alguns comportamentos que visivelmente floresceram com a brutal morte do cão e que merecem atenção, pois Orelha nos revelou um propósito genuíno e conectado com o que todos temos de melhor.
• União de crenças, religiões e partido políticos diferentes: foi nítido o movimento nas redes sociais sobre pessoas de várias religiões fazendo movimentos de justiça pelo crime cometido. O propósito genuíno faz isso: une as crenças, elimina diferenças partidárias.
• Manifestações voluntárias coletivas: de maneira orgânica, gratuita e sem patrocínios as pessoas vão às ruas pedindo justiça. Pelo que você lutaria que não importasse o quanto custasse e onde você se deslocaria para resolver o que fosse?
• Organização de movimentos internacionais: brasileiros de todo o mundo enviaram os nomes dos suspeitos para as embaixadas e pediram o bloqueio de suas entradas aos países. A proteção ao propósito é algo que nasce de maneira genuína. Vem sem pedir e ultrapassa fronteiras sem precedentes.
O caso do cão Orelha escancarou algo que muitas vezes esquecemos: o propósito verdadeiro não nasce do discurso, mas da dor compartilhada e do senso coletivo de justiça. Quando algo toca o que temos de mais humano, a liderança deixa de ser um cargo e passa a ser uma atitude.
Nesse contexto, líderes não precisaram ser nomeados. Eles surgiram naturalmente, guiados pela indignação, pela empatia e pela coragem de agir. Pessoas comuns tornaram-se referência simplesmente por não se calarem. Isso nos mostra que liderança não é visibilidade, é responsabilidade.
Orelha, mesmo sem voz, provocou uma mobilização que muitas organizações passam anos tentando construir: engajamento real, espontâneo e sustentável. Um engajamento que não depende de recompensas, mas de valores.
O propósito genuíno incomoda, mobiliza e transforma. Ele nos tira da inércia, nos obriga a olhar para nossas próprias omissões e nos lembra que fazer o certo quase nunca é confortável, mas sempre necessário.
Que a história de Orelha não seja apenas mais um episódio de comoção passageira. Que ela sirva como um lembrete permanente de que, quando nos conectamos ao que importa, somos capazes de mudar realidades — juntos.
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