Da alegria e tristeza do acordo com a UE
Apresentadoras da Globo News, anunciando que a UE que aprovou o acordo com o Mercosul, pulam de alegria: agora o chocolate belga será mais barato. O vinho francês, italiano, espanhol, 20 % mais barato. Máquinas, meu deus, mais baratas. A vida é bela, nós vamos ter agora tudo mais barato, produtos de melhor qualidade, vindos da Europa. Que alegria. E que fantasia!
O acordo assinado sob presidência paraguaia do Mercosul é sim importante. Já assinamos acordo com o EFTA, Suíça, Noruega e Cia. E o chocolate suíço ainda não baixou de preço. E ninguém lembra que temos um acordo assinado há alguns meses. O acordo para ser válido tem um caminho que pode demorar mais um pouco e que certamente vai mudar a economia dos quatro membros do Mercosul.
Para planejarmos o futuro, vale a pena analisar o processo e o background do acordo. A Europe está em crise tanto política, em guerra com a Rússia, sob pressão dos EUA, mas principalmente, conforme o relatório do ex Primeiro-Ministro da Itália The Draghi report: A competitiveness strategy for Europe, em profunda crise de competitividade. A Europa está atrasada em relação ao mundo e seus produtos e serviços não são competitivos. Aliás, pergunte a qualquer criança de quem são os produtos mais avançados e a resposta será China. Portanto fizemos acordo com um conjunto de países que tem sim muito investimento no Brasil, mas não lideram no século 21.
Sob pressão da China, que está literalmente matando a indústria automobilística europeia e concorrendo com os europeus em todos os campos, mais a pressão do governo Trump com tarifas e liderança em IA, a Europa está perdendo mercado. E nós somos mercado para eles, o velho conhecido, onde as indústrias deles são ainda competitivas. Ou seja, o mercado que ainda aceita segunda geração de máquinas, equipamentos etc. e produtos de luxo como vinhos, queijos, chocolates, aos quais têm acesso só a ponta da pirâmide social.
Os europeus impuseram tanto publicamente como por baixo da mesa suas condições leoninas para fazermos o acordo. Não sabemos o que cada país exigiu, mas já é público que governo italiano exigiu, para aderir ao acordo, que a concessionária de energia em São Paulo, um desastre para a população, tivesse prorrogada dentro de legalidade existente, a sua concessão. Sem falarmos em exigências para nossos produtos agrícolas.
O fato é que o acordo será implementado e que os europeus estão prontos, mesmo com oposição dos EUA, para tomar esse mercado. Nos temos que nos preparar para essa invasão que vai afetar todos os setores econômicos e ter consequências sociais ainda não calculadas. Enquanto a UE deu 45 bilhões de euros aos agricultores para competir com os nossos, nós não temos nem plano, nem dinheiro para enfrentar as mudanças que o acordo vai trazer. Simples assim.
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