Da América Latina girando, girando
O Irã vai ser ou não atacado pelos Estados Unidos? Tudo pode acontecer, ou nada vai acontecer. Mas, a tensão paira no ar e, enquanto isso, o mundo continua girando. As tarifas norte-americanas que estão neste momento em 10% e passarão a 15 % em breve são outra imprevisibilidade que temos no comércio internacional. E aí chegamos ao nosso continente, o novo velho quintal do vizinho poderoso do Norte.
Alguns incautos dizem que o Brasil, mais por sabedoria do seu governo do que pela graça norte-americana, foi beneficiado com a nova política tarifária. Nada mais errado, porque teremos inúmeros outros instrumentos tarifários que não foram revogados e, portanto, estamos longe de poder dizer que está tranquilo.
O fato mais marcante desta semana no continente foi o assassinato por forças de segurança do mais temível sicário mexicano, El Mencho. Com sua morte, a Presidente mexicana consolidou seu governo com o firme propósito de combater o crime organizado, mas o país mergulhou numa onda de assassinatos e distúrbios que pode durar um bom tempo.
Perturbação diferente teve com greves e protestos a Argentina, onde o dono de motosserra Milei conseguiu o impossível: aprovar no Legislativo uma reforma trabalhista, o sonho do capitalismo sul-americano. E aprovou também o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, algo que está na pauta do Congresso em Brasília, mas longe de ser aprovado sem um adicional de férias.
Impressionante é o que está acontecendo na Venezuela. Maduro e a esposa sumiram, ninguém fala deles, o país aumentou a produção de petróleo, “experts” americanos controlam as finanças e o fluxo de dinheiro e tudo o mais está em santa paz. Soltaram alguns presos políticos, a turma do Maduro esqueceu dele e obedece às ordens de Washington melhor do que muitos nos próprios Estados Unidos.
A Colômbia, cujo presidente Petro trocou algumas amabilidades da pior qualidade com o presidente dos EUA, foi visitá-lo na Casa Branca e voltaram a ser amigos de infância, já que haverá eleições daqui há alguns meses. Aliás, nesta linha, o presidente da Nicarágua arqui-inimigo dos EUA sumiu. Nem a mulher dele, vice-presidente, fala mais. E o governo brasileiro anunciou que o Presidente Lula vai em março para a capital do continente em sua nova versão.
E em Cuba, onde não tem mais petróleo, a crise energética, gerando crise alimentar e de saúde aliada a todos os tipos de sanções do Tio Sam, problemas reconhecidos mesmo no jornal do Partido Comunista Granma, o que vai acontecer? Dizem fontes não oficiais que as duas partes estão conversando e o interlocutor é o neto do Raul Castro. Os EUA estão pressionando os cubanos com muita dureza, mas qual será a solução, está cedo para dizer. A mudança de regime em Cuba seria a queda do último peão na independência ainda que relativa do continente dos Estados Unidos.
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