Das bombas do Irã que caem aqui
O conflito no Irã neste momento se sobrepõe a todos os demais conflitos, sejam militares, como o da Ucrânia, já passando para o quinto ano, sejam de tarifas ou vários desastres naturais que estamos passando no mundo. Das inúmeras razões que os nobres analistas expõem, a principal é que atinge uma região que tem forte influência nos destinos do mundo.
Brincadeira à parte, de que somos felizes por não termos bomba atômica nem mísseis de longo alcance (mesmo sendo tomada independentemente da capacidade técnica, a decisão política de não produzir bomba atômica, a nossa capacidade burocrática aliada às emendas e outros interesses, tomaria séculos para fazer algum artefato) e assim escapamos de eventual invasão, mas não escapamos, principalmente na área econômica, dos efeitos do conflito entre Irã, EUA e Israel, que já envolve todo o Médio Oriente e bate na nossa porta. Sem considerar a eventual duração do conflito, já temos para as empresas no Brasil algumas consequências.
O preço do barril de petróleo já está em USD 80, o que alegra a Petrobras mas vai obrigar a mesma subir o preço da gasolina. E claro, do diesel. Isso bate direto no bolso do consumidor. E como é ano eleitoral, o governo segura para estourar em seguida. É uma “escolha de Sofia”.
No mundo inteiro a inflação vai subir, os juros também, e no Brasil os juros não podem baixar, e os preços dos alimentos vão subir, o que vai gerar pressão para o aumento de salários. Na área agrícola, teremos o efeito da importação de fertilizantes, os países do Golfo são nossos grandes fornecedores, como também substancial aumento do preço do diesel, que importamos.
Os fretes marítimos e seguros estão subindo, o que afeta nosso comércio exterior. E o mercado na área do Golfo, mercado de carne Halal, que o Brasil domina, será afetado. E nossos investimentos como os da JBS e BRF, também. Às vezes nas guerras a exportação dos alimentos aumenta, mas também o risco financeiro é muito maior.
O preço do ouro deve aumentar, inclusive pelas compras maiores para as suas reservas pela China, mas haverá muita volatilidade nos mercados e incerteza sobre como vai se comportar o dólar, como moeda de referência.
Turismo e viagens internacionais, que viraram um caos nestes dias, vão ter aumento de custos em geral e vão precisar de um tempo para se reorganizar, e nós com eles.
Não escapamos a uma situação que não foi criada pelo Brasil, e que perdura desde a queda do Shah no Irã, em 1979 . Teve data de início, mas não tem data para terminar. É uma situação específica, onde é claro que pode haver ganhos para alguns, mas num ano eleitoral e ano de introdução de reforma tributária, o efeito colateral que as empresas podem sentir pode ser bem maior do que o esperado.
Quando o governo diz que nem é tão grave, é bom ficar atento.
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