Giro pelo mundo

Do tudo igual e tudo mudando: o tarifaço americano na política e na economia brasileira

Tarifaço, guerra no Oriente Médio e julgamento do Bolsonaro são alguns dos episódios que agitam as relações internacionais

Quanto ao tarifaço americano, que é o assunto do dia na política e na economia brasileira, foi significativo o seminário organizado pelo influente Conselho das Américas e a Fiesp sobre o papel do setor privado nas relações com os Estados Unidos. Presentes empresários dos dois países, mas também o Chanceler Mauro Vieira, que expôs a posição brasileira e o ex-Embaixador dos EUA no Brasil Thomas Shannon. Todo mundo baixando a bola, procurando diálogo, indicando soluções como o presidente da JBS, que tem 75 mil funcionários lá, mas foi Shannon quem disse claramente: tem que convencer o Trump de que os dados que ele usa estão errados e prejudicam seus eleitores e os EUA. Simples assim.

E aí a pergunta é: quem vai colocar o guiso no gato? Todo mundo insiste em que a questão do Bolsonaro e sua tentativa de golpe nada têm a ver com a o assunto, mas por outro lado essa é a questão cuja corda está sendo esticada toda hora. Enquanto está procurando uma solução prática na questão econômica, o governo está mostrando para todo lado que o conflito tarifário é bom para os seus objetivos eleitorais. Fica difícil. Parece que tem gente torcendo pelo quanto pior, melhor. Nos próximos dias haverá em Washington uma audiência pública referente à discriminação das exportações norte-americanas para o Brasil, o chamado artigo 301, que será um teste interessante para ver quanto se pode avançar.

O fato é que ninguém está parado. As empresas estão se virando como podem, e o governo, que é o negociador, de mãos atadas, em grande parte pela inépcia, pela ideologia e pelo stress econômico, além da desestruturação do sistema parlamentar. Procurar aliados no exterior está difícil, porque todos estão com dificuldades similares. A Índia, que recebeu uma missão empresarial brasileira importante há poucos dias, está recebendo um tarifaço de 50% porque importa oléo da Rússia. E as negociações de paz no conflito da Ucrânia, cujo show assistimos há duas semanas, estão onde sempre estiveram: mais guerra, menos paz. E assim, a Índia, que com a paz na Ucrânia e a queda eventual das sanções contra a Rússia teria solucionado o problema, não pode fazer nada.

A paz no Oriente Médio também não está próxima e o conflito em Gaza, provocado pelos terroristas do Hamas e exacerbado pelo governo de Netanyahu, está respingando no mundo inteiro. O Iran foi acusado pela Austrália de fomentar ataques às sinagogas lá, e romperam relações diplomáticas. Na África, os conflitos na região do Sahel continuam. E a China, quieta, exporta cada vez mais e negocia silenciosamente um acordo com Trump.

Voltando ao Brasil, tanto o Embaixador Shannon como o ex-ministro Jobim, em outra palestra, concordam que enquanto Lula não sentar com Trump na Casa Branca e acertar os ponteiros, as coisas continuam como estão, com pouca chance de mudar. Mas, estamos em tempos em que também tudo pode mudar.

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