Do petróleo: necessidade, bonança, volatilidade e maldição
O conflito entre o Irã e os Estados Unidos tem para a maioria no Brasil um nome: petróleo. Descoberto em 1859 na Pensilvânia, nos EUA, é usado inicialmente para substituir óleo de baleia para a iluminação pública, e depois tornou-se a força motriz do desenvolvimento do mundo, a partir da invenção do automóvel, no início de século XX. Hoje, o mundo no qual vivemos desapareceria sem petróleo. Derivados, além da gasolina, diesel e querosene, são milhares, como fertilizantes, medicamentos, plásticos, sem os quais não tem vida no planeta. A proposta transição energética vai levar dezenas de anos e o conflito no Oriente Médio mostra como somos dependentes ainda do petróleo para sequer o mundo funcionar.
O maior produtor mundial são os EUA, os países do Golfo estão em seguida. O Brasil é o sétimo com produção média diária de 4 milhões de barris. Petróleo é o segundo item mais importante na pauta das exportações brasileiras. Se compararmos a linha do tempo da exploração de petróleo no Brasil com outros países, descobrimos que desde a descoberta do primeiro campo na Bahia, em 1939, até a exploração com plataformas de pré-sal, águas profundas, em 2010, houve um avanço extraordinário. E se a isso se adicionar o uso de ethanol há 50 anos, hoje em mistura com gasolina em 30 %, vemos que políticas energéticas foram parcialmente acertadas.
Os inúmeros conflitos nas áreas de petróleo sacodem o mundo inteiro. Seja o aumento do preço do barril, como aconteceu estes dias, de 80 dólares para o pico de 120 e depois momentânea estabilidade em torno de 100 dólares, ou em 1970 a revolta dos países árabes e Irã através da OPEC, forçando um aumento de preços que sacudiu o mundo e sua estabilidade. Ou seja, quem tem petróleo manda e quem não tem, obedece. E o petróleo é aliado também do gás, que move lares e industriais. Lembre da Europa sem gás da Rússia no meio do conflito na Ucrânia.
Nesse contexto temos os problemas da disponibilidade e do preço. Os dois são ligados intimamente e não há país no mundo que não seja afetado com o conflito no Irã. O Brasil produz mais que o Irã, mas eles têm 13 vezes mais reservas. E no nosso caso, parece que é o destino que se nos está reservando pelos gênios da pátria, temos e produzimos petróleo, mas importamos 30 % de diesel, 15 % de gasolina, 70 % de fertilizantes e mais gás. A nossa vulnerabilidade se compara aos países europeus que não tem petróleo, não tem gás, às vezes carvão. E então a volatilidade que nos atinge é maior porque não só atinge todos os custos, mas sobretudo nossa capacidade de produzir e exportar.
Aliás, explicar, mesmo relembrando a Lava Jato e a nossa política de gestão de recursos naturais, porque não temos e nem vamos ter nos próximos dez anos downstream, a produção maior de diesel, fertilizantes e gasolina, é assunto de gênios. O agro, dependendo de fertilizantes e diesel de terceiros, sem falar nos conflitos armados, e ser competitivo, é a prova de que Deus é brasileiro, porque os homens que nos governam fazem tudo para que não tenhamos futuro.
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