Giro pelo mundo

Do tapete persa manchado de sangue

Protestos no país do Oriente Médio já registraram milhares de mortes nas últimas semanas

Irã, onde foram, segundo várias fontes, mortos em protestos contra o governo mais de 20 mil pessoas, cujos corpos ainda estão nas ruas porque os cemitérios estão cheios, os hospitais estão cheios de feridos e dos médicos que cuidam deles, presos e perseguidos, e prisões cheias. As pessoas protestavam gritando pão, trabalho e liberdade. A inflação por anos seguidos tem passado de 50 % ao ano, sendo que o custo dos alimentos está exorbitante quando comparado com os salários baixos. E um quilo de carne custa um salário mínimo.

O país é governado pelos aiatolás desde 1979, quando derrubaram o Shah, que estava no poder havia 28 anos. Mesmo com tentativas de modernização do país, com dólares jorrando com o alto preço do petróleo, mas governando com uma sanguinária polícia secreta, numa aliança forte com os EUA, foi o maior comprador de armamentos americanos por décadas, foi derrubado pelos radicais islâmicos.

O regime teocrático, cujo poder está nas mãos dos mullahs e seu supremo líder, está pior do que o regime anterior. Por um lado, a economia, sob pressão das sanções norte-americanas e administrada pelos militares da Guarda revolucionária, braço militar dos xiitas, está um desastre. Por outro lado, os gastos militares, que somam 15 bilhões de dólares ao ano oficialmente, e mais um tanto extraoficialmente, produzem maravilhas militares como mísseis, drones e o esforço para fazer a bomba atômica, mas o povo passa fome. O petróleo tem baixa produção e mais da metade do produzido vai para a China. E no contexto de um regime cujos níveis de corrupção ultrapassam a imaginação.

O maior inimigo desse regime são os EUA, cuja embaixada em Teheran foi invadida por 444 dias em 1979, mas com o qual, no governo Reagan, republicano, em 1985, se fez um acordo para vender armas e com isso financiar a guerra na América Central. O escândalo dos escândalos, Irä- Contras. Na Argentina, em 1994, explodiram a associação judaica Amia e a Embaixada de Israel. Paradoxalmente, estão ligados aos regimes de esquerda na América Latina, em especial Venezuela. E na área de influência geopolítica, patrocinadores de grupos terroristas como o Hezbollah, que atua na fronteira tríplice, no no Líbano e com os Houthis, no Iêmen.

O mundo reclamou pouco do massacre destas semanas. Também subestima que se for permitido que produzam uma bomba atômica, em perigo não está Israel, que eles querem aniquilar. Vão começar um conflito nuclear cujo final é imprevisível. A permissividade dos países, inclusive o Brasil, com esse regime xiita, que não apenas escravizou seu próprio povo, efetivamente representa um perigo para a humanidade.

Neste contexto, lendo o livro sobre queda do Rei dos Reis, o Shah, e assistindo a série israelense Tehran, ou assistindo TV ao vivo, você está na linha do tempo do perigo mais iminente para acabar com o que ainda sobra de paz no mundo. Pelo silêncio e falta de apoio ao povo que se revoltou, não sabemos o que ainda pode acontecer.

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