Indústria Inteligente

Construção civil cresce e o desafio passa a ser executar melhor

Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) projeta elevação de cerca de 2% para o setor em 2026

A construção civil deve seguir em expansão em 2026. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) projeta elevação de cerca de 2% para o setor, o que representaria o terceiro ano consecutivo de alta, após um 2025 de avanço mais moderado.

À primeira vista, pode parecer um número modesto. Mas ele precisa ser analisado no contexto da economia, marcado por juros elevados, crédito mais seletivo e empresas pressionadas por custos. Mesmo assim, alguns vetores ajudam a sustentar um cenário positivo, entre eles:

• Crédito imobiliário mais disponível, impulsionado por mudanças no sistema de financiamento;
• Orçamento recorde do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para habitação;
• Programas habitacionais e investimentos públicos, que continuam impulsionando lançamentos e obras;
• Infraestrutura e concessões, que mantêm a demanda por obras industriais e logísticas.

Esses fatores explicam por que a construção civil continua sendo um dos principais motores da atividade econômica. Obras residenciais, projetos de infraestrutura e investimentos privados mobilizam toda a cadeia produtiva, de cimento e aço a químicos, máquinas e equipamentos.

Crescimento, porém, não significa ausência de riscos. Alguns pontos merecem atenção especial:

• Mesmo com a expectativa de queda, o custo de capital ainda está elevado e novos projetos exigem critérios rigorosos de viabilidade;
• A alta do petróleo impacta no preço de insumos como asfaltos, tubos de PVC e dos combustíveis e, por consequência, causa impacto relevante em fretes de materiais como aço, cimento e blocos de construção;
• Margens pressionadas exigem melhor planejamento, controle de custos e eficiência no canteiro, com especial atenção na gestão dos prazos que afeta satisfação de clientes e o fluxo de caixa das empresas;
• Escassez de mão de obra qualificada, pois a falta de profissionais técnicos pode limitar a capacidade de execução de obras em andamento e da expansão, além de elevar custos operacionais;
• Sustentabilidade e conformidade, pois, eficiência energética, rastreabilidade de materiais e padrões ambientais tornam-se requisitos cada vez mais presentes;
• A construção civil brasileira deve continuar se beneficiando da demanda habitacional, dos investimentos em infraestrutura e da retomada gradual do crédito. O ambiente, portanto, é de boas perspectivas, moderadas pelos riscos e incertezas de custos, mão de obra e instabilidade global. Neste contexto vale um alerta, ganha quem executa melhor.

Empresas que combinarem disciplina na seleção de projetos, produtividade na execução e gestão rigorosa de custos terão mais capacidade de transformar crescimento em resultado. Em outras palavras, mais do que crescer, a construção civil brasileira precisará crescer com eficiência.

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