Brasil na fronteira da Medicina: Molécula nacional pode reverter lesões medulares
Um marco da ciência nacional pode estar prestes a transformar o futuro do tratamento de lesões na medula espinhal, uma condição que, por décadas, a medicina considerou praticamente irreversível. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) desenvolveram a polilaminina, uma molécula experimental com potencial para reverter danos medulares e devolver mobilidade a pessoas que sofreram lesões graves.
Liderada pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, a pesquisa se destaca pelo enfoque inovador em biologia regenerativa. Ao longo de quase três décadas, a equipe trabalhou na criação de uma versão modificada da proteína laminina, componente natural da matriz extracelular que auxilia na comunicação entre células nervosas. A polilaminina recria esse ambiente biológico, estimulando a formação de novas conexões neurais no local da lesão.
Em 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da fase 1 de estudos clínicos com humanos, um passo essencial para avaliar a segurança do tratamento antes de testar sua eficácia em larga escala. Esta etapa envolve voluntários com lesões medulares recentes, nos primeiros dias após o trauma, período em que o potencial regenerativo é mais promissor.
Os primeiros relatos geram otimismo: em aplicações compassivas da substância, pacientes com tetraplegia e paraplegia recuperaram, parcial ou totalmente, movimentos que consideravam perdidos. Um caso emblemático citado pela imprensa é o do brasileiro Bruno Drummond de Freitas, conhecido como “paciente 01”, que voltou a apresentar mobilidade após tratamento experimental com polilaminina.
Do ponto de vista de inovação em saúde, a polilaminina representa uma mudança de paradigma. Enquanto as abordagens tradicionais focam em minimizar sintomas e adaptar pacientes à deficiência, essa tecnologia busca restaurar funções biológicas diretamente, algo que até recentemente parecia ficção científica. O uso de proteínas matriciais para criar um microambiente regenerativo na medula espinhal insere o Brasil em uma vanguarda global da medicina regenerativa, uma área que combina biologia molecular, engenharia de tecidos e farmacologia avançada.
No entanto, avanços científicos de grande impacto exigem tempo e rigor. O caminho regulatório e os próximos testes clínicos são determinantes para confirmar a eficácia e a segurança do medicamento antes que ele possa ser adotado em larga escala pelo sistema de saúde. A expectativa é que, se os resultados continuarem positivos, a polilaminina possa um dia integrar tratamentos que devolvam independência e qualidade de vida a milhares de pessoas.
Mais do que um feito científico isolado, essa descoberta evidencia a importância de investimento contínuo em pesquisa pública, capaz de gerar soluções disruptivas que beneficiem a sociedade como um todo, um verdadeiro exemplo de inovação para o Brasil e para o mundo.
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