Pensando o Futuro

Análogos históricos: o futuro repete o passado

Forma pela qual as economias se desenvolvem, as sociedades interagem, as guerras são travadas e as tecnologias impactam a sociedade são alguns exemplos de analogias históricas

O tempo é uma variável que se movimenta apenas em uma direção e a uma taxa constante, exceto em condições relativísticas. Isso faz com que a história nunca se repita: ela é um processo contínuo, composto por eventos únicos.

Entretanto, vários processos históricos são análogos entre si, mesmo que distantes no tempo e no espaço. Isso ocorre porque existem invariantes, ou seja, certos fatores, relações causais e leis da natureza não mudam ou mudam muito pouco ao longo do tempo. Dessa forma, as estruturas causais permanecem semelhantes ao longo da história, formando situações que se parecem muito entre si.

O primeiro invariante é a espécie humana. O Homo sapiens sapiens é biologicamente estável há cerca de 300 mil anos. Todos os indivíduos dessa espécie apresentam características físicas similares, reprodução sexuada, alimentação onívora, órgãos manipuladores e capacidade de raciocínio.

O segundo invariante é a geografia. Embora existam movimentos tectônicos, glaciações, vulcões e terremotos, a geografia do planeta é basicamente a mesma desde o final da última glaciação, há cerca de 12 mil anos. O contorno dos continentes é o mesmo, os cursos dos principais rios são quase iguais, os estreitos para navegação continuam os mesmos. A localização dos recursos naturais também permanece praticamente inalterada. Houve mudanças humanas, como aterramentos, canais, lagos artificiais e cidades, mas isso alterou muito pouco a geografia em geral.

O terceiro invariante são as relações de produtividade e economia. Independentemente do nível tecnológico e da organização social, continuam a existir regras como “ganhos de escala”, “curvas de aprendizado”, “relações de oferta e demanda” e “retornos decrescentes”.

Nesse sentido, o que realmente mudou ao longo da história foi, na prática, o avanço da tecnologia, o surgimento de diversas culturas, o crescimento populacional e a coopetição (híbrido de cooperação e competição) entre as sociedades humanas, principalmente por meio da guerra, da política e do comércio.
Isso torna possível compreender certos processos atuais e futuros à luz de situações similares no passado. A forma pela qual as economias se desenvolvem, as sociedades interagem, as guerras são travadas e as tecnologias impactam a sociedade são alguns exemplos de analogias históricas.

Entretanto, nenhuma analogia é perfeita, e a história é um processo único, sem repetição real. Isso nos obriga a adaptar as analogias às questões contemporâneas e a formular hipóteses sobre como o futuro diferirá do passado, ainda que seja semelhante a ele. Não é possível prever completamente o futuro, mas é possível aprender com os erros e acertos do passado e entender como os processos históricos se assemelham.

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