Artemis: de volta à Lua
Em fevereiro de 2026, deve ser lançada a missão Artemis 2, a primeira missão tripulada até a Lua desde 1972. Se tudo der certo, a missão deve durar cerca de 10 dias e orbitar a Lua sem um pouso.
O SLS (Space Launch System) block 2 da Artemis tem uma capacidade de carga até a órbita baixa de 130 toneladas (LEO) e de 46 toneladas para órbitas lunares (Trans Lunar Injection -TLI).
Essa missão vem num momento importante, pois houve muitos atrasos. Porém, em dezembro de 2025, os EUA renovaram sua disposição de ir até a Lua e estabelecer uma presença permanente.
Uma ordem executiva do presidente Trump estabeleceu a data de 2028 para o retorno à Lua com um pouso tripulado, e o começo da instalação de uma base permanente até 2030.
Os americanos pretendiam ter atingido tais marcos bem antes dessas datas, e já ter atualmente o que chamavam de “Artemis Base Camp”, bem como uma estação em órbita da Lua chamada de “Lunar Gateway”.
Os EUA se veem numa corrida pela supremacia tecnológica, econômica e militar no espaço contra os chineses. Como o espaço é um território sem presença permanente, a regra na prática é “primeiro a chegar, primeiro a se servir”.
O polo sul da Lua é um local estratégico pela provável presença de água no fundo de algumas crateras. Isso permite reduzir em muito a necessidade de envio de água da Terra. Existe também a possibilidade de grandes reservas de metais na Bacia de Aitken na parte oculta da Lua, próxima ao polo sul.
Os chineses, por sua vez, estão desenvolvendo o Longa Marcha 10, que terá capacidade de levar até 70 toneladas para órbita baixa (LEO) e 27 toneladas para órbitas lunares (TLI). Seu primeiro voo orbital deve ocorrer também em 2026. Potencialmente, devem pousar na Lua entre 2029 e 2030.
Isso significa que os americanos estão perdendo sua vantagem tecnológica e os chineses podem ultrapassá-los ainda nesta década. Daí a pressa repentina dos Estados Unidos e a necessidade de se reafirmar como dispostos a avançar nessa direção.
A Lua em si é um objetivo importante para o futuro, pois serve de base para lançamento para Marte e o cinturão de asteroides, bem como para os diversos pontos e órbitas do sistema Terra Lua, tais como os pontos de Lagrange, LEO e GEO.
O sistema Terra-Lua vai ganhando importância econômica com uma ocupação de centros de dados, estações de energia solar em órbita (Space Based Solar Power – SBSP) e provavelmente manufatura robotizada. As bases dessa nova fronteira tecnológica e econômica estão sendo lançadas bem na nossa frente, e uma corrida já está em andamento.
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