A ascensão do Paraguai
Nos últimos dois anos, estima-se que mais de 200 empresas do Brasil tenham se mudado para o Paraguai. Este fenômeno tem atraído o interesse ainda maior pelo país e deve acelerar nos próximos anos.
O processo de reforma tributária do Paraguai vem ocorrendo há décadas. Mas isso resultou num ambiente muito favorável onde os principais impostos foram reduzidos a 10%. O IVA (Imposto de Valor Agregado) foi criado, e estabelecido em 10%, em 1992.
Em 2004, o IRPJ (Imposto de Renda de Pessoa Jurídica) foi reduzido ao mesmo patamar. Finalmente, em 2012, o IRPF (Imposto de Renda de Pessoa Física) foi introduzido também no patamar de 10% para rendas acima de 36 salários mínimos anuais. Este sistema tem sido propagandeado como 10-10-10 (ou Triple 10).
Juntou-se a isso o fato de a energia ser barata devido a Itaipu, e sendo parte do Mercosul, as barreiras alfandegárias entre os diversos membros são baixas.
A atração de empresas brasileiras nos últimos anos é devido ao contraste entre um ambiente estável e de baixos impostos, com um de instabilidade altos impostos. A reforma tributária brasileira introduziu uma imprevisibilidade tributária muito grande. Neste momento, não existe quem possa dizer como serão os impostos no Brasil dentro de dez anos.
Mas o Paraguai não tem atraído somente investimentos do Brasil. O investimento estrangeiro cresceu em 15% no ano de 2024 atingindo US$ 931 milhões. Os principais países de origem são EUA, Países Baixos (Holanda), Uruguai e Espanha. Os setores mais atraentes para os estrangeiros têm sido agroindústria, energia, florestal e logística.
No caso dos investimentos brasileiros, eles têm sido atraídos pelo agronegócio (soja e pecuária em particular), energia renovável e setor imobiliário. Indústrias brasileiras, tais como têxtil, plástico, metalúrgico e moveleiras têm sido atraídas pela mão de obra barata e o regime fiscal mais favorável.
Neste momento, existem dois grandes movimentos de desenvolvimento no Paraguai. O primeiro em Assunção com o aumento da manufatura (maquilas), que vai criar um polo industrial. O segundo é o avanço do agronegócio e da agroindústria no interior do país.
O Paraguai atingiu o grau de investimento da Moody’s (Baa3) em julho de 2024, e o da S&P (BBB-) em dezembro de 2025. Falta o grau de investimento da Fitch, que hoje ainda está um degrau abaixo do grau de investimento (BB+). É altamente provável que os três graus sejam atingidos nos próximos dois anos.
Isso irá acelerar ainda mais o investimento no Paraguai e criar uma diferença de ambiente ainda maior com o Brasil e a Argentina.
É provável que a onda de migração de empresas, empregos e pessoas para o Paraguai esteja apenas no começo.
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