Pensando o Futuro

Halo: o medo das rupturas

Efeito está tirando ligado ao avanço de várias tecnologias, sobretudo da inteligência artificial (IA)

Desde o final de 2025, os mercados têm visto pânicos recorrentes em torno de empresas de alta tecnologia, em particular software. Isso se deve ao fato de que, com o avanço de várias tecnologias, em particular de inteligência artificial (IA), está ficando difícil prever quais serviços e produtos irão ficar obsoletos nos próximos anos.

Isso tem gerado um medo das rupturas tecnológicas e seus efeitos no mercado de trabalho e no mercado financeiro. Este tipo de operação de mercado foi batizada de Halo (High Assets Low Obsolescence) pelo Goldman Sachs.

Muitas das projeções sobre a destruição de empregos, empresas, produtos e serviços são exageradas. Desde o surgimento do ChatGPT, em novembro de 2022, nenhuma das projeções apocalípticas se confirmou. As máquinas avançaram desde então, mas não em uma projeção exponencial, como muitos esperavam, e sim de maneira quase linear, mais especificamente uma curva de aprendizagem.
Por outro lado, a aversão ao risco de investimento em empresas de tecnologia gerou uma busca por ações em empresas que estão seguras em relação ao avanço destas tecnologias.

Não só o ouro e a prata bateram recordes de valor, como todo o setor de mineração vem sendo afetado positivamente. Não importam os avanços da IA, a mineração não será substituída tecnologicamente em um futuro próximo. Na verdade, os avanços tecnológicos têm aumentado a demanda de certos minérios, tais como cobre, lítio, cobalto e elementos de terras-raras (ETRs).

Outros setores beneficiados são o agronegócio e a agroindústria. Não há ameaça vinda da IA à substituição tecnológica da cadeia de alimentação humana e animal. Aqui também temos, de certa forma, o efeito inverso: na medida em que a população mundial ainda aumenta seu consumo e as terras agricultáveis são finitas, a tendência é de aumento do valor da terra, de busca de ganhos de produtividade e de valor agregado.

O varejo em si também se beneficiou, pois apesar das estruturas físicas ficarem cada vez menos importantes, a demanda de consumo se mantém, e esta não será afetada pela IA. O que muda é a forma de entrega dos produtos.

O setor bancário também é relativamente imune. Apesar da forma de entrega do serviço estar mudando e, assim como no varejo, as agências se tornarem menos relevantes, o serviço bancário e financeiro em si continua necessário e não vai mudar. Avanços na IA podem melhorar o serviço, mas não o substituir.

Isso explica em parte o aumento do iBovespa nos últimos meses, tendo saltado de 140 mil para 190 mil de maneira que surpreendeu a muitos. Como a economia brasileira é pouco exposta a empresas de alta tecnologia e muito exposta a empresas de mineração, agronegócio, bancos e varejo, ela se beneficiou desse efeito. Mas é importante notar que este não é o único fator responsável por essa subida.

Esse medo do efeito das rupturas não irá desaparecer tão cedo e provavelmente afetará a valorização dos diversos setores nos próximos anos. Entre as empresas de tecnologias haverá vencedores e perdedores, mas hoje não se tem certeza quais serão os vencedores.

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