A marinha de guerra do futuro
Em dezembro de 2025, os Estados Unidos anunciaram que vão projetar e construir uma nova classe de encouraçados (classe Trump), com cerca de 30 a 40 mil toneladas de deslocamento e com 10 a 25 navios planejados para a classe.
O lado bom do anúncio é do desejo de estimular os estaleiros americanos a produzirem, já que existe um medo por conta da capacidade de produção naval, que foi muito reduzida, e ao fato da China hoje ter uma capacidade estaleira bem maior (23 milhões de toneladas na China contra 100 mil toneladas nos EUA).
A China tem uma marinha que é numericamente, em termos de navios, maior do que a dos EUA (370 China, 296 EUA), mas não em tonelagem total (2,65 milhões China versus 4,5 milhões EUA).
O problema é que os encouraçados propostos não são a solução num ambiente de conflito atual, nem futuro.
Um encouraçado é um navio de grande porte, com muita blindagem e grande poder de fogo, equipado com canhões de grosso calibre. Eles foram o resultado de um desenvolvimento de corrida naval, até o aparecimento do poder aéreo naval, que os fez obsoletos. O desenvolvimento dos mísseis guiados no final da Segunda Guerra Mundial fez deles alvos fáceis e tornou a blindagem obsoleta.
Ao longo do século XX e XXI, os mísseis antinavio se desenvolveram para ter alcances superiores a 150 km (180 km Exocet e 280 km Harpoon), e os mísseis de cruzeiro têm alcances ainda maiores (900 km BrahMos e 2.500 km Tomahawk). Em comparação, os canhões dos encouraçados atingem cerca de 42 km (canhão de 16 polegadas Mark 7). Em um combate naval, um encouraçado sequer consegue se aproximar para disparar contra um inimigo que utiliza mísseis.
Embora imponentes, hoje os encouraçados são navios-museu, da mesma forma que navios com casco de madeira e velas: relíquias históricas de um tempo que já passou.
Na década de 1990, houve uma proposta similar com o navio-arsenal, que carregaria centenas de mísseis antinavio e de cruzeiro. Esses navios teriam um perfil baixo e com jatos de água pela lateral para dificultar a detecção e o alvejamento por mísseis antinavio.
Esta proposta acabou evoluindo para a conversão de quatro submarinos da classe Ohio. Não só os navios já existiam, como um submarino moderno é mais fácil de se esconder do que qualquer navio de superfície.
O ambiente de combate naval atual, e o de um futuro próximo (20 a 40 anos), provavelmente será dominado por submarinos não tripulados (UUV – Unmanned Underwater Vehicle). Eles existirão em diversos tamanhos, formatos e funções.
Minha percepção é que o encouraçado do Trump terá um destino similar ao navio-arsenal da década de 1990, isto é, evoluirá para submarinos de médio e grande portes – só que dessa vez uma boa parte deles não será tripulada.
Isso contribui para o estímulo aos estaleiros dos EUA, gera emprego e faz mais sentido em um ambiente de combate futuro.
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