Vinho da Casa

O ano começa agora: vamos iniciar pelas castas emblemáticas, um caminho para escolher melhor o vinho

Saiba como fazer uma escolha com propriedade neste início de ano

O senso comum garante que o ano só começa depois do Carnaval — e quem sou eu para contrariar a sabedoria popular? Dito isso, faço um convite: em 2026, vamos escolher o vinho com propriedade? Minha ideia inicial é que todo mundo entenda o que são as castas emblemáticas.

Para começar pelo nosso quintal, vale olhar para a Syrah, que encontrou no Sudeste brasileiro um território fértil, onde se adaptou bem à técnica da dupla poda. É também conhecida como Shiraz na Austrália e na Nova Zelândia.

Celebrada mundialmente em 16 de fevereiro, a variedade tem origem no Rhône — ou Ródano, em português —, na França, e é conhecida pelos aromas de fruta preta e pimenta preta. Versátil, pode dar origem tanto a vinhos mais leves e frutados, para consumo jovem, quanto a exemplares estruturados e aptos à guarda.

Pequena, com casca grossa, amadurece melhor em climas moderados a quentes, produzindo vinhos com taninos e acidez de médios a altos. Suas características apimentadas, intensas e identificáveis, fizeram desta casta uma escolha popular para acompanhar pratos de sabores fortes, como carnes de cabrito e cordeiro assadas.

No Vale dos Vinhedos, na Serra Gaúcha, que tem a primeira Denominação de Origem (D.O.) do Brasil, a emblemática é a Merlot. Da sua terra natal em Bordeaux, a casta foi exportada e plantada em vários países. Versátil, pode resultar em vinhos leves e imediatos ou em rótulos mais concentrados, que evoluem bem com passagem por madeira e tempo de garrafa. Também aparece com frequência em blends, suavizando castas mais tânicas, como a Cabernet Sauvignon.

Para ganhar o selinho da D.O., porém, não basta ser feito ali. É preciso, entre outras coisas, que o vinho tenha, pelo menos, 60% de Merlot, que pode ser acompanhada pelas coirmãs Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat. Para os varietais, a regra estabelece 85%. Os exemplares com passagem por madeira envelhecem exclusivamente em barris de carvalho.

Aos pés da cordilheira dos Andes, no Chile, a casta emblemática é a Carmenère, uma variedade tinta amplamente cultivada no país. É nativa de Bordeaux, mas é raro encontrá-la por lá atualmente. Para amadurecer bem, precisa de ciclos longos e ensolarados — e, mesmo no Chile, seu melhor desempenho aparece nas áreas mais quentes do Valle Central.

Já na Argentina, a palavra-chave é Malbec. Tal como a Carmenère, a casta é nativa do sudoeste da França e encontrou na altitude de Mendoza condições ideais para florescer. Dali saem vinhos de cor profunda, muito corpo e taninos marcantes, geralmente carregados de notas de frutas negras, como amora e ameixa. Par ideal dos nossos churrascos, assim como a casta emblemática do Uruguai, a Tannat, rainha local que tem um espacinho na Serra Gaúcha, onde não ganhou tanto protagonismo.

Mais uma casta de origem francesa, a uruguaia produz vinhos estruturados, de taninos firmes e presença marcante, com aromas de frutas negras maduras e especiarias. Um estilo que ajuda a explicar por que certas uvas deixam de ser apenas variedades e passam a se tornar símbolos de lugar.

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