Janeiro chega com toda a tradição da festa da colheita
Janeiro é época da colheita das uvas nas regiões tradicionais de vinhos do Sul do País, como Bento Gonçalves, mas também em alguns pontos da região Sudeste. As vinícolas entram em festa e abrem as portas para uma experiência que combina paisagem, gastronomia e celebração. A vindima concentra, em poucos dias, tudo o que torna o vinho um programa e não apenas uma bebida.
No interior de São Paulo, em São Roque, a Vinícola Góes lança a Edição Fazenda, com programação distribuída ao longo de todos os fins de semana do mês. Em meio a vinhedos cercados pela Mata Atlântica, o roteiro começa com degustações guiadas e segue para a parte mais aguardada da experiência, a colheita manual das uvas. O percurso termina no lagar histórico da propriedade, uma antiga vinícola com ruínas preservadas e paredes de pedra, onde acontece a pisa tradicional. O encerramento reúne churrasco comandado por Marcos Livi e música ao vivo.
Em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, toda a cidade se volta para a vindima, que se estende até março. Para a festa ficar ainda mais bonita, a Associação dos Produtores de Vinho do Vale dos Vinhedos promove a “Vindima Iluminada”, estimulando moradores e comerciantes a decorar suas fachadas com temas relativos à colheita das uvas.
São muitas opções de programação. Uma delas é a vinícola Cristofoli, localizada em Faria Lemos, região marcada pela imigração italiana. A família cultiva variedades trazidas da Itália, como Sangiovese, Moscato, Peverella, Barbera e Bonarda, e mantém a produção própria de vinhos há quase quatro décadas.
A experiência acontece aos sábados de janeiro e fevereiro e dura cerca de quatro horas. O roteiro inclui visita guiada com os enólogos, espumantes servidos em taça, cantos tradicionais da imigração italiana e a pisa das uvas à moda antiga. Após a colheita, os visitantes participam de um brunch harmonizado, com produtos regionais, servido no vinhedo.
Na Larentis, a festa é à noite. O ponto central do programa é a colheita das uvas no vinhedo Arcangelo, cultivado pela família há mais de 140 anos. A atividade é seguida por um jantar nos vinhedos, que combina referências da culinária italiana com influências da gastronomia portenha. Como parte da experiência, os participantes acompanham a criação de um rótulo exclusivo, elaborado com as uvas colhidas naquela noite. Cada visitante recebe uma garrafa do vinho após o período de maturação, estimado em cerca de 20 meses.
No Vale dos Vinhedos, a Videiras Carraro, dos vinhos Lidio Carraro, faz a festa em frente ao seu casarão de pedra. O roteiro segue parecido, colheita manual, pisa a pé e almoço em locações instagramáveis. Na vinícola Cainelli, o destaque está na visita ao museu da família, um espaço centenário que funciona como introdução à história da imigração e da produção local. Para entrar mais ainda no clima da imigração, é servido um lanche típico italiano.
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