Terrabenta reforça vocação para o enoturismo na Serra Fluminense
Em meio à Mata Atlântica, na serra fluminense, coladinho na Zona da Mata mineira, floresce uma novíssima região vitivinícola. A duas horas da praia de Copacabana, há plantações de vitis viníferas produtivas que vêm transformando o mapa do turismo do Rio de Janeiro.
O enoturismo fluminense tem um DNA próprio, com toques de sofisticação, característicos do circuito gastronômico e hoteleiro de Petrópolis, entre os distritos de Itaipava e Araras. As plantações começam por ali e se estendem pelos municípios de Areal, Paraíba do Sul, São José do Vale do Rio Preto, Paty do Alferes, Teresópolis e Nova Friburgo.
A pioneira Inconfidência, em Paraíba do Sul, agora tem vizinhos de médio porte, como a Tassinari (São José do Vale do Rio Preto), e de grande, como a Maturano (Teresópolis). E a instagramável Vinícola Família Eloy, que fica no complexo turístico Borgo del Vino, em Areal.
É neste cenário que aparece a caçula Terrabenta. Ainda com a sede em construção, a vinícola colheu no inverno passado suas primeiras uvas, das castas Tempranillo, Syrah, Cabernet Franc, Malbec e Marselan. As brancas – Sauvignon Blanc, Alvarinho, Chardonnay e Viognier – terão sua primeira safra entre 2026 e 2027.

O enoturismo está previsto para ter início no segundo semestre de 2026, quando a construção da área do receptivo será concluída. Serão dois mil metros quadrados em três pisos, para degustações e visitas guiadas.
De cara, a Terrabenta chegou apostando num perfil de vinho próprio e contratou o enólogo argentino Adolfo Lona para conduzir a vinícola. Referência na produção de espumantes brasileiros de alta qualidade, Lona vive há mais de 50 anos no Rio Grande do Sul, onde produz vinhos e presta consultorias. A Terrabenta, a primeira vinícola de dupla poda que Lona assessora, pretende fazer vinhos com personalidade própria: brancos que refletem suas variedades – sua essência – e tintos com capacidade para envelhecer nas barricas de carvalho francês que, juntas, comportam sete mil litros, além de foudres para até nove mil litros.
Em cinco hectares de área plantada são cultivadas atualmente 20 mil mudas. O plantio teve início em 2022 e tem a Syrah e a Cabernet Franc como castas principais – juntas somam quase oito mil mudas – além de nove outras em desenvolvimento.

“Optamos por iniciar nossa primeira safra com as tintas e dar mais tempo para as brancas se desenvolverem. Estamos entendendo a região e muito entusiasmados com o potencial da terra”, conta Márcia Marinho, médica carioca à frente do empreendimento, ao lado do marido, o também médico Renato Manso.
No terreno de 65 hectares, que servia de pasto antes de ser comprado para dar lugar à Terrabenta, o casal dedicou sete ao reflorestamento de espécies nativas da Mata Atlântica, com a intenção de chegar a 13 nos próximos anos. Uma característica que difere de outras vinícolas da região que surgiram onde havia lavoura de café.
Além de Adolfo Lona, que supervisiona o projeto, a Terrabenta conta com a enóloga gaúcha Gabriela Beber, no projeto desde 2024. A vinícola inicia sua primeira safra já com vinificação própria e com capacidade de produção que pode atingir 100 mil litros.
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