Ano novo, vida nova
Cumprido o que dita o calendário e encerrados os festejos que marcam Natal e passagem de ano, tem início um novo exercício, período acompanhado por reflexões sobre o que foi feito, o que está por ser feito. Para nos fazer recordar, dentre outros exemplos que poderiam ser lembrados, que para o País o sonho do reequilíbrio fiscal não aconteceu, conforme prometido e anunciado porque os apelos da gastança prosseguem sendo mais fortes para os políticos e para o serviço público. Tudo isso mesmo diante das muitas evidências de que o País não cabe no próprio orçamento, tornando assim compulsória a decisão de fechar torneiras.
Para impor disciplina e abraçar cuidados que, afinal, deveriam ser tomados como rigorosamente elementares, devendo assim estar alinhados, em Brasília, entre os mais fortes propósitos para o Ano Novo. Por exemplo, para acabar com a alegria de pessoas como o desembargador da Justiça Federal no Rio de Janeiro, pilhado em aventuras que não lustram sua carreira, mas ainda assim dono de um contracheque que chega aos R$ 120 mil a cada mês e do qual não se tem notícias de que tenha sido devidamente podado. São os tais “marajás”, aqueles mesmos que o ex-presidente Fernando Collor de Mello, hoje em prisão domiciliar por conta de deslizes nada republicanos, um dia prometeu exterminar para assim ganhar a cadeira mais bem estofada do Palácio do Planalto.
Felizardos que não fazem a menor ideia do que seja o tal “teto” de proventos para os servidores públicos, uma tropa de 10,7 mil funcionários públicos, inativos e pensionistas que recebem benefícios acima do limite constitucional, tudo isso a um custo anual de R$ 3,98 bilhões que à viúva deve pagar pontualmente. Consideradas todas as esferas de governo o número chega a 53 mil. Apenas mais um escândalo entre tantos que se repetem numa rotina que seria monótona não fosse o fato de que também essa conta acaba no lombo da população brasileira. Como se fosse perfeitamente natural e aceitável que o teto para aposentadoria de trabalhadores gire em torno dos R$ 8 mil por mês, enquanto no chamado “regime especial” pode chegar a milagrosos R$ 46,3 mil e isso quando não vai muito além. Alguns benefícios podem chegar a dez vezes mais que o teto. Nada que pareça bastante para incomodar os donos de “direitos adquiridos” ou favorecidos pelas “brechas” que a ética não reconhece e o bom senso manda exterminar.
E sem deixar esquecer que o funcionalismo público consome R$ 20 bilhões ao ano e que 4 milhões de servidores, ativos e inativos, de um total de 11 milhões, continuam donos de “vantagens” mal explicadas.
Ouça a rádio de Minas