Editorial

Aprendendo a pensar grande

Mudanças no Plano Diretor de Belo Horizonte exigem visão metropolitana e planejamento de longo prazo
Aprendendo a pensar grande
Vista de Belo Horizonte | Foto: Charles Silva Duarte

As discussões sobre alterações no Plano Diretor de Belo Horizonte, com foco no setor imobiliário, não devem e não podem ficar restritas à área contida pelo próprio município. Existem, é claro, aspectos legais a considerar, mas o planejamento no sentido objetivo e prático só fará sentido na medida em que a Região Metropolitana de BH for considerada e envolvida. Para responder inclusive àqueles que cobram a liberação de novas áreas para urbanização e edificação, mas também sabem que tais espaços não estão mais disponíveis nos limites territoriais do município.

Exercício que, de imediato, nos leva a um assunto de maior relevância para toda a região metropolitana e especificamente para Belo Horizonte, ainda que diga respeito à área que faz parte do município de Nova Lima. Estamos falando dos espaços que abrigaram a antiga Mina de Águas Claras, na vertente Sul da Serra do Curral e hoje pertencente à mineradora Vale. Algo equivalente a toda a área contida pela Avenida do Contorno, bastante para absorver necessidades presentes e futuras ao longo de décadas, condições que são únicas no mundo para uma cidade do porte de Belo Horizonte. Ao pé da Serra, pelo lado Sul, existe um grande platô absolutamente plano e com 2 quilômetros de extensão, no mesmo nível do bairro Mangabeiras, na vertente Norte. Um túnel garantiria acesso a essa área em não mais que 15 ou 20 minutos contados a partir da Praça Sete.

Espaço mais que suficiente para a construção – aí sim! – de grandes edificações de destinação comercial, além de serviços e atividades culturais. Um espaço novo e amplo o suficiente para ser urbanizado com muito apuro, capaz de se transformar no novo marco de toda a região e com espaços mais que suficientes para abrigar bairros e condomínios residenciais verticais e horizontais, além de áreas verdes e de preservação que, como a Pampulha no passado, estarão balizando a chegada de um novo tempo. Pensar grande certamente é voltar os olhares nessa direção, de pronto para tentar entender como e porque a antiga Mina de Águas Claras continua intocada.

Para também vencer resistências de quem não é capaz de perceber que o futuro de Belo Horizonte, de Nova Lima e de toda a região metropolitana, não tem como ser dissociado dessa grande área. E lembrar das possibilidades de seu adequado aproveitamento, sempre nas melhores e mais saudáveis condições para em primeiro lugar garantir abrigo e qualidade de vida para o maior número de pessoas que for possível, bem como o desenvolvimento de negócios em condições adequadas de segurança e retorno. Resumindo, o que se pretende é que possam todos reaprender a pensar grande.

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