Editorial

Caminhar para o fim

Com recentes investidas na Venezuela e Groelândia, o presidente Donald Trump continua dando mostras de que não conhece limites
Caminhar para o fim
Foto: Getty images

Com o dedo permanentemente no gatilho e imaginando ter à sua conta o exército mais poderoso do planeta, o presidente Donald Trump, mesmo enfrentando crescentes pressões internas, continua dando mostras de que não conhece limites. E sua alça de mira aponta, quase erraticamente, nas mais diferentes direções, do Canadá e do México, vizinhos mais próximos, passando pela Groenlândia e, claro, Venezuela, além da Colômbia. Tudo isso sem contar o Irã, pintado como inimigo mais perigoso e presentemente o alvo de um boicote que, drasticamente ampliado, pode alcançar interesses comerciais brasileiros ou negócios que somam perto de US$ 3 bilhões ao ano. Não é pouca coisa e já assusta principalmente produtores de milho, que têm naquele país relevante clientela.

Pode acontecer, pode não acontecer, mas o fato objetivo é que o presidente Lula já recomendou cautela a seus diplomatas, dizendo acreditar que negociar continua sendo preferível ao confronto. Sem lugar para dúvidas, mas mantido também o entendimento de que existem limites que não devem ser ultrapassados, num contexto em que todos os países acabam sendo igualmente ameaçados. Para isso, cabe também entender o que se passa, cabe perceber o real significado da promessa de fazer a América grande novamente.

O tiroteio parece errático, com os alvos sendo escolhidos quase ao acaso, mas na verdade o que está em jogo é a disputa com a China, país que vai se impondo globalmente, muito próximo de se colocar como a maior economia do planeta para ocupar o lugar que os Estados Unidos conquistaram com a nova ordem que resultou do final da Segunda Guerra. Poder econômico que resulta também em avanços tecnológicos que não conhecem limites e se projetam, por enquanto de forma um tanto discreta, também no campo militar.

Eis o alvo, eis o objetivo final, realidade que pode reduzir os movimentos hoje conhecidos como um processo de cerco, movimento de pinças como gostam de dizer os estrategistas militares. É plausível concluir que, se a escalada em curso não for de alguma forma detida, chegará o momento em que poderão ser impostas sanções a quem mantiver relações de comércio com a China. E as armas estarão sendo apontadas precisamente na direção do maior parceiro comercial do Brasil.

O passo derradeiro de uma escalada que – e nunca será demais recordar – poderá levar ao conflito aberto entre as duas maiores potências da atualidade.

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