Caminho mais curto
Pelo menos no discurso a ideia de criação de um Ministério da Segurança Pública saiu das gavetas para voltar à superfície. E movimento atribuído ao próprio presidente da República, o maior dos padrinhos da empreitada, que na sexta-feira (6) teria dito que ela será levada adiante caso o Congresso aprove Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabelece novas diretrizes para enfrentamento do tema. Não cabem dúvidas quanto ao fato de que é preciso agir e que as ações demandadas para devolver tranquilidade e segurança à população brasileira exigem integração, coordenação e efetiva colaboração entre organismos policiais nas esferas municipal, estadual e federal. Diante de uma situação de guerra aberta, ainda que não declarada, eis o que deve ser feito, evidentemente que sob comando da União. E superadas de pronto as questiúnculas políticas que vêm retardando providências que deveriam ser tomadas como de máxima urgência face à gravidade da situação.
Mas caminhar nessa direção não deveria necessariamente significar que o ponto de partida deva ser a criação de mais um ministério. A solução pronta, mas, talvez, daquelas que bem poderiam ser classificadas como destinadas apenas a salvar aparências. Ou para alimentar a burocracia, precisamente como nós brasileiros aprendemos a fazer, dizem que por conta de uma maldita herança lusitana que D. Joao VI trouxe na bagagem quando veio de Portugal. Burocracia pela burocracia, também para confundir e em última análise gerar vantagens para apadrinhados de todos os tipos, aqueles que costumeiramente tiram proveito dessas situações.
Mais que um novo ministério com todas as suas pompas e custos, o que mais faz falta, notadamente neste caso em particular, é adequado entendimento com relação à natureza dos problemas de segurança pública no País e efetiva vontade política de enfrentá-los. Sem medo dos poderosos interesses que necessariamente estariam sendo contrariados para que assim possa ser percorrido o caminho da arregimentação de forças, de eliminação da dispersão, adequada coordenação e, na ponta, resultados que atendam às expectativas. Esforços que poderiam perfeitamente ser reunidos e adequadamente coordenados a partir do Ministério da Justiça, possivelmente com interação mais efetiva também com as forças armadas, ponto que ainda não foi tratado com necessária clareza.
Mais uma vez, algo um tanto óbvio diante de uma situação entendida como de guerra e em que, claramente, já existem áreas a todos os títulos ocupadas pelos “inimigos” e às quais o Estado brasileiro simplesmente não tem mais acesso. Resumindo, para concluir, está claro que dá para fazer melhor.
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