Choque de realidade
A criminalidade no País assumiu proporções de uma guerra não declarada e, presentemente, com indicativos de que o dito crime organizado teria expandido substancialmente suas atividades em negócios regulares, além de se infiltrar também na política e até na gestão pública. E tudo para reproduzir, numa escala talvez ainda pior, procedimentos próprios das máfias, em especial a italiana. Um crescimento que em larga medida resulta quando não de rasteira cumplicidade, também da ineficácia das tentativas de restabelecimento da lei e da ordem, consequência previsível da inexistência de políticas minimamente articuladas na atuação dos organismos policiais e suas ramificações municipais, estaduais e federais. Parece estar faltando inclusive o elementar entendimento de que somar forças será sempre mais recomendável que fazer precisamente o contrário.
Tudo isso, evidentemente, no plano de abordagem técnica, profissional, e onde por elementar não poderia haver qualquer espaço para vieses políticos ou conveniências mal disfarçadas. Somar deveria ser o único interesse, assim como o entendimento de que o contrário só pode ser a conveniência dos que buscam abrigo e vantagens à margem da lei. Colorir politicamente o enfrentamento da criminalidade é o mesmo que antecipar o fracasso da empreitada e parece ser precisamente o que está acontecendo quando se constata que União e estados não se entendem, deixando de lado questões técnicas que deveriam ser entendidas como um tanto óbvias e assim obstando a pretendida e necessária soma de esforços e de recursos a serem mobilizados, além da elementar necessidade de coordenação centralizada.
Não para agradar a um ou a outro lado, não para que se possa tirar partido de uma suposta posição de força. Apenas e tão somente para que os agentes públicos possam finalmente dar algum tipo de resposta às demandas, necessidades e urgências da sociedade que coloca a segurança pública, ou sua ausência, como a maior das preocupações na atualidade. E tudo da mesmíssima forma como o entendimento de que efetivos policiais fragmentados e dispersos serão necessariamente menos eficazes. Sobretudo quando se trata de enfrentar grupos frequentemente mais bem armados ou com um nível de infiltração que implica riscos bem maiores para a sociedade organizada.
Para resumir e chegar à conclusão: um quadro que bem pode ser definido como situação de guerra aberta, em que territórios dominados e ocupados não podem ser dados como perdidos, simples e indesejável contingência. Muito menos como algo em que se possa colher algum tipo de dividendo político, precisamente como parece estar acontecendo na atualidade.
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