Como ser diferente
O presidente Donald Trump já disse e repetiu que para fazer a América grande novamente será necessário assegurar que o Continente, do Extremo Norte ao Extremo Sul, esteja bem alinhado com os interesses de seu país. Um convite que, unilateral, na verdade soa como ultimato, mesmo que acompanhado de vagas referências à colaboração de boa fé. Em suma, trata-se de repetir políticas que ao longo do tempo foram adotadas e rapidamente se transformaram em retumbantes fracassos, enfraquecendo ao invés de fortalecer o país. Poderia ser diferente e, em termos também diferentes, faria todo sentido. Quem sabe até para recuperar, com mais de quinhentos anos de atraso, a ideia de um Novo Mundo, livre das piores marcas da cultura e da política europeia.
Nada a ver por certo com imposições que não deixam espaço para a construção de qualquer tipo de consenso. Nada a ver com a ideia, também muito repetida ultimamente, de que objetivos determinados por Washington serão aceitos de uma forma ou de outra. Nada que lembre o intervencionismo pretérito com sua carga de fracassos. Algo mais próximo, e muito melhorado, das ideias que alimentaram a Aliança para o Progresso sob inspiração do brasileiro Juscelino Kubitscheck e até certo ponto levada adiante por John Kennedy. Nas condições que se apresentam, pode ser quase um delírio, mas de qualquer maneira cabe tentar fazer entender que é possível.
É possível entendimento, é possível colaboração pautada por objetivos comuns, centrada exclusivamente em promover desenvolvimento econômico e social, em ambiente de plena democracia, tendo como primeiro objetivo reduzir desigualdades. Dito de outra forma, um convite exclusivamente ao bom senso que pode gerar confiança, alimentar colaboração e produzir resultados. E resultados para todos, expressão, agora sim, de força legitimada pelo entendimento, nunca mais pela imposição lastreada na força bruta e não pela razão.
Não faz nenhum sentido o isolamento fundado no status quo e traduzido no unilateralismo, experiências que comprovadamente enfraquecem e geram desgastes que nem mesmo a força bruta foi capaz de conter. Trata-se apenas aprender com a história para fazer diferente. E assim devolver ao Novo Continente as expectativas que fracassaram, gerando força e reconhecimento legitimados por resultados e convencimento, por adesão consciente e livre, nunca mais por qualquer tipo de usurpação.
Apontar nessa direção pode ser não mais que um delírio. Mas bem poderia ser a resposta inteligente ao impasse que vai sendo desenhado.
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